Número de jovens sem-sem diminui: A taxa de desocupação entre os jovens caiu para o menor nível
No 2° trimestre de 2026, cerca 8,8 milhões de jovens entre 14 e 29 anos, 17,9% de uma população de 49,1 milhões de pessoas, estavam sem trabalho e fora da escola. Chamados por muitos de geração nem-nem, porque nem trabalham nem estudam, eles experimentam uma realidade diferente da vivida pela juventude dos países desenvolvidos e, por essa razão, não deveriam receber essa denominação.
Não se trata apenas de diferenças metodológicas na forma como se mensuram os dados no Brasil em relação a outros países1 , mas o termo nem-nem dá a entender que há passividade dos jovens diante do mercado de trabalho. No caso brasileiro, o termo adequado seria sem-sem, pois os dados indicam que: • É uma fase passageira. Ficar sem trabalho e fora da escola é, em geral, uma situação transitória ou eventual e acontece porque os jovens estão mais propensos a aceitar postos de trabalho precários, sem estabilidade e com alta rotatividade de mão de obra2.
1 Em geral, as estatísticas relacionadas aos chamados nem-nem no Brasil consideram como fora da escola qualquer jovem que não esteja no ensino “regular” (fundamental, médio ou superior), sem levar em conta como estudante quem está matriculado em cursos livres, como, por exemplo cursos pré-vestibulares ou de treinamento. 2Ver https://www.dieese.org.br/boletimempregoempauta/2024/boletimEmpregoemPauta27.html.
Há relação com a situação socioeconômica do jovem. Jovens de lares mais pobres chegam ao fim do ensino médio com um leque mais estreito de oportunidades e enfrentam dificuldades na transição da escola para o trabalho. Os jovens em domicílios com melhores condições socioeconômicas têm mais chances de continuar estudando após o ensino médio3 . • Os jovens não estão, de fato, parados.
A maior parte dos chamados nem-nem está procurando trabalho, cuidando de afazeres domésticos ou realizando cursos não regulares. • Parcela muito pequena dos jovens afirmava não querer trabalhar. Este boletim traça o panorama atual das condições enfrentadas pelos jovens ao entrar no mercado de trabalho no Brasil, a partir dos dados da PnadC-IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Jovens cada vez mais ativos no mercado de trabalho O número de jovens sem trabalho e sem escola está em queda desde 2020, quando mais de 14,5 milhões de pessoas entre 14 e 29 anos estavam nessa situação, o pico da série. No 2º trimestre de 2026, 8,8 milhões de jovens estavam sem trabalhar ou estudar, o equivalente a 17,9% dessa população.
Desses 17,9%, pelo menos 60% (5,3 milhões) estavam procurando emprego, estudando ou realizando afazeres domésticos. Entre as mulheres, 44% daquelas que não trabalhavam ou estudavam relataram estar nessa situação porque tinham que cuidar dos afazeres domésticos (casa, filhos ou parentes). Entre os homens, 33% estavam em busca de emprego. Outros 7% realizavam algum curso fora da educação regular. Apenas 2% disseram que não estavam trabalhando porque não queriam.
O que explica a queda no número de jovens sem trabalho e sem estudar é principalmente a melhora no nível de atividade econômica, que manteve o mercado de trabalho mais aquecido - especialmente o formal. Entre o 2º trimestre de 2022 e o 2º trimestre de 2026, o número de jovens que não estudavam, mas tinham trabalho formal, cresceu 6,2%, enquanto a quantidade dos que conciliavam trabalho e estudo aumentou 2,8%. Já o número de jovens desocupados, isto é, em busca de trabalho, caiu -42%. Por outro lado, o crescimento do número de jovens que não trabalhavam ou estudavam, mas que estavam envolvidos em afazeres domésticos, indica o aumento do peso dos cuidados entre os mais jovens.
Outro elemento que revela a importância do mercado de trabalho aquecido para o nível de atividade dos jovens é a queda na taxa de desocupação da juventude, que acompanhou a dos trabalhadores mais velhos. Entre o 2º trimestre de 2022 e o 2º trimestre de 2025, a taxa teve redução de 16,6% para 10,0%, a menor da série histórica.
Em todo caso, as taxas desocupação ainda são mais elevadas nas fases iniciais de carreira. Entre os jovens de 18 anos, ficava em 20,8%, reflexo das dificuldades de inserção no mercado de trabalho logo após a conclusão do ensino médio. A taxa diminui progressivamente com o avanço da idade e estava em 5,5% para as pessoas com 29 anos.
Condições de trabalho dos jovens ocupados No 2º trimestre de 2026, havia 26,6 milhões de jovens entre 14 e 29 anos trabalhando. O rendimento médio deles era de R$ 2.459, valor 32% inferior ao dos trabalhadores de 30 anos ou mais (R$ 3.621). Entre os jovens com menos de 18 anos ocupados, o rendimento médio era inferior ao salário mínimo.
Além disso, 41% dos jovens ganhavam no máximo até um salário mínimo, que era de R$ 1.621.
Mulheres e pessoas negras têm maior chance de estar na situação de sem-sem. Enquanto o número de homens não negros sem trabalho ou escola era de 10,5%, entre as mulheres negras, o percentual chegava a 27,2%.
A categoria sem-sem abriga diferentes trajetórias. Para boa parte das mulheres mais jovens, especialmente entre as negras, não estar trabalhando e nem estudando significa cuidar de afazeres domésticos. Já entre os homens jovens, a maioria dos sem-sem estava em busca por trabalho. Ou seja, essa é uma situação transitória, o que explica o motivo de o número de jovens nessa situação cair nos momentos em que o desemprego diminui.
Os jovens estão mais concentrados como empregados do setor privado, com 69% deles nessa posição, contra 45% entre os mais velhos. Quase metade (48%) dos jovens ocupados tinha carteira de trabalho assinada. O serviço público e o trabalho por conta própria são mais comuns entre os trabalhadores mais velhos.
As ocupações mais comuns entre os jovens eram vendedores de loja, escriturários gerais e trabalhadores da construção. Entre as 20 ocupações mais comuns, nenhuma era de trabalhador de nível técnico ou superior.
DIEESE







