Expectativa: Café, milho, suco de laranja, e mel devem ser os mais beneficiados pelo acordo Mercosul-UE, diz Apex

Janeiro 16, 2026 - 17:05
Expectativa: Café, milho, suco de laranja, e mel devem ser os mais beneficiados pelo acordo Mercosul-UE, diz Apex
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entra na fase final de formalização e deve abrir novas oportunidades para produtos do agronegócio brasileiro no mercado europeu, segundo avaliação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Em entrevista concedida para o Canal Rural em Lisboa, o gerente executivo da Apex na capital portuguesa, Paulo Matheus, explicou que, embora a assinatura represente um marco histórico, o acordo ainda precisará cumprir trâmites institucionais antes de entrar em vigor.

“Chegamos agora à fase da assinatura, mas não é ainda a execução plena do acordo. Isso depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos parlamentos nacionais dos países-membros”, afirmou.

A expectativa, segundo ele, é que a aplicação integral do acordo aconteça a partir de 2027, embora alguns produtos já possam sentir efeitos mais imediatos.

Redução de tarifas será escalonada por cadeia produtiva

Um dos pontos centrais do acordo, segundo Paulo Matheus, é que a redução de tarifas não ocorrerá de forma imediata e uniforme para todos os produtos, mas sim por meio de um escalonamento definido por cadeias produtivas.

“Esse escalonamento, em algumas cadeias, pode chegar a até dez anos para que haja a adequação completa”, explicou o gerente da Apex.

Na avaliação dele, esse modelo permite uma transição gradual, tanto para os produtores brasileiros quanto para os europeus, reduzindo impactos abruptos e oferecendo tempo para ajustes produtivos, sanitários e regulatórios.

Produtos com efeito mais rápido da desoneração

Apesar do escalonamento, Matheus destaca que parte relevante dos produtos agroindustriais deve sentir os efeitos da desoneração em um prazo mais curto.

Entre os itens com impacto mais imediato estão:

café, especialmente cafés especiais

milho

suco de laranja

mel natural.

“Esses produtos estão entre os que terão efeito mais imediato do ponto de vista da desagravação tributária”, afirmou.

Além do agro, segmentos como madeira, máquinas e equipamentos também tendem a apresentar resposta mais rápida ao acordo, segundo a Apex.

No caso das carnes, Paulo Matheus lembra que o Brasil hoje destina apenas cerca de 2% da produção ao mercado europeu, volume que atende às exigências do bloco.

“É um percentual pequeno, mas que mostra um potencial claro de crescimento”, disse.

Segundo ele, embora a cadeia de carnes também esteja sujeita ao escalonamento tarifário, o acordo cria um ambiente mais previsível, que pode estimular investimentos e ampliar a participação brasileira no mercado europeu ao longo do tempo.

Ambiente regulatório unificado favorece o agro

Outro avanço destacado pelo gerente da Apex é a padronização das regras comerciais, contratuais e fitossanitárias dentro da União Europeia.

“Antes, o investidor brasileiro precisava entender regras diferentes em cada um dos 27 países. Agora, o acordo cria um guarda-chuva único de normas”, explicou.

Segundo Matheus, isso traz mais segurança jurídica, previsibilidade nos contratos e facilidade para investimentos, fatores considerados decisivos para a expansão do agronegócio brasileiro na Europa.

Questão ambiental deixou de ser entrave

As exigências ambientais, que por anos travaram o avanço das negociações, hoje são vistas como um pilar do acordo. De acordo com Matheus, muitos produtos brasileiros já atendem às conformidades exigidas pela União Europeia.

“O Brasil e os países do Mercosul têm capacidade de cumprir essas exigências. Essa elevação da régua é positiva para os dois lados”, afirmou.

Canal Rural