Liderança: Pecuária intensiva: o que coloca o Brasil no topo da produção mundial de carne vermelha?

Janeiro 15, 2026 - 09:48
Liderança: Pecuária intensiva: o que coloca o Brasil no topo da produção mundial de carne vermelha?
(Divulgação)

A pecuária intensiva foi o grande motor que permitiu ao Brasil ultrapassar os estados Unidos no final de 2025, tornando-se o maior produtor de carne vermelha do mundo. Esta revolução é resultado de um processo de verticalização que combina genética apurada, animais de ciclo curto e uma gestão estratégica baseada em dados.

Em entrevista ao Giro do Boi, o especialista Luciano Cruz, da Intensifique Consultoria, afirmou que o sucesso na pecuária exige que o produtor deixe de ser apenas um “criador de bois” para se tornar um gestor de informações, focando na rentabilidade por hectare. O primeiro passo para a intensificação rentável é o controle rigoroso da informação.

Importância da gestão de dados

Luciano Cruz destacou que a qualidade do dado coletado no curral é fundamental para o sucesso financeiro da operação. Ele alertou para o uso de tecnologias de identificação, como os brincos com chip, que reduzem o erro humano, que chega a dezoito por cento em marcações a fogo tradicionais. “Um dado ‘cantado’ errado no curral compromete toda a estatística”, disse.

Ele também ressaltou que a balança é a ferramenta soberana da pecuária intensiva. Sem medir o Ganho Médio Diário (GMD), o pecuarista vive no “achismo” e não consegue diagnosticar se a suplementação está gerando lucro real. A transformação na pecuária brasileira é visível ao observar a capacidade de produzir mais em menos espaço.

Eficiência e preservação ambiental

No sistema extensivo tradicional, a taxa de lotação é de apenas um animal por hectare, enquanto a intensificação eleva esse patamar para quatro animais, podendo chegar a dezessete animais por hectare no sistema irrigado. Isso significa que o sistema irrigado permite produzir em apenas cento e vinte hectares a mesma quantidade de carne que o sistema extensivo levaria mil e seiscentos hectares para alcançar.

Embora intensificar exija um maior aporte de capital, os números demonstram que a eficiência “paga a conta” através da diluição dos custos fixos. Luciano Cruz apontou que, com um planejamento estratégico e projeção de fluxo de caixa para trezentos dias, o produtor ganha segurança para investir. “Ao produzir mais arrobas por hectare, o custo operacional fixo é diluído, aumentando a margem de lucro”, explicou.

A pecuária intensiva também se consolidou como aliada da preservação ambiental. Reduzindo o tempo de vida do animal na fazenda, o Brasil melhora seus índices de emissões. “Animais que vão para o abate com vinte meses emitem menos metano por quilo de carne produzida do que o gado de ciclo longo”, concluiu o especialista.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.