Menina autista brasileira é espancada no Paraguai. Padrasto é preso acusado de violência

Julho 20, 2026 - 18:00
Menina autista brasileira é espancada no Paraguai. Padrasto é preso acusado de violência
(Divulgação)

Criança, que vivia com a avó em Ponta Porã, foi levada pela mãe para Pedro Juan Caballero e permanece hospitalizada com múltiplas lesões; caso é investigado pelo Ministério Público paraguaio.

Um caso de violência contra uma criança de seis anos provocou grande comoção na região de fronteira entre Brasil e Paraguai. A menina, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi internada no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero após sofrer graves agressões. O principal suspeito é o padrasto, Rodrigo René Piris Gómez, de 23 anos, que foi preso por determinação do Ministério Público do Paraguai.

Segundo informações da polícia paraguaia, a criança havia sido levada pela mãe, da casa da avó paterna, em Ponta Porã, sob a justificativa de passar o fim de semana com ela no país vizinho. Horas depois, a menina deu entrada no hospital com diversos ferimentos pelo corpo.

De acordo com o boletim médico, a menina sofreu hematomas e escoriações em várias partes do corpo, incluindo tórax, costas, pescoço, rosto, braço direito e região dos glúteos. O relatório também aponta lesões que podem ser compatíveis com mordidas, circunstância que será apurada durante a investigação.

Em razão da gravidade dos ferimentos, a equipe médica decidiu manter a criança internada para observação e acompanhamento clínico.

Suspeito foi preso após se apresentar à polícia

As investigações apontam que a mãe havia deixado a filha sob os cuidados do companheiro enquanto trabalhava em um salão de beleza em Pedro Juan Caballero.

Ao retornar, encontrou a criança ferida e a levou imediatamente ao Hospital Regional, onde o caso foi comunicado às autoridades.

Durante o atendimento, a própria menina relatou que as agressões teriam sido praticadas pelo padrasto.

Posteriormente, Rodrigo René Piris Gómez compareceu à Primeira Delegacia de Polícia acompanhado de um advogado. Por determinação da promotora Mirta Martínez, ele recebeu voz de prisão e permanece à disposição do Ministério Público paraguaio.

Avó faz apelo para que a neta retorne ao Brasil

Enquanto a investigação segue no Paraguai, a avó paterna da criança, moradora de Ponta Porã, pede apoio das autoridades para que a menina possa retornar ao Brasil após receber alta médica.

Segundo familiares, a criança vivia sob os cuidados da avó, que acompanhava seu desenvolvimento, rotina escolar e tratamento relacionado ao Transtorno do Espectro Autista.

Emocionada, Dona Iria afirma viver dias de angústia desde que soube das agressões.

"Ela é uma criança indefesa, autista, que precisa da rotina dela e dos cuidados que sempre recebeu aqui. Meu maior desejo é vê-la em segurança e de volta para casa", declarou.

Caso mobiliza autoridades da fronteira

O episódio gerou forte repercussão em Pedro Juan Caballero e Ponta Porã e reforçou o debate sobre a necessidade de proteção integral às crianças, especialmente em situações que envolvem famílias residentes na região de fronteira.

O Ministério Público do Paraguai prossegue com as investigações para esclarecer completamente as circunstâncias das agressões e responsabilizar os envolvidos, enquanto a menina permanece sob cuidados médicos.

Familiares também aguardam o acompanhamento dos órgãos de proteção à infância dos dois países para definir as medidas relacionadas à guarda e ao retorno da criança ao Brasil.

O Conselho Tutelar de Ponta Porã não atendeu a ligação da reportagem. Não há informações se o Conselho está acompanhado o caso.