Quando a lavoura precisa se adaptar para sobreviver: Clima versus soja

Dezembro 31, 2025 - 16:50
Quando a lavoura precisa se adaptar para sobreviver: Clima versus soja
Reprodução Soja Brasil

A Expedição Soja Brasil chegou ao Sul do país e encontrou um cenário que vem se repetindo nas últimas safras, com o clima como principal fator de risco para a produção de soja. Entre estiagens prolongadas e episódios de excesso de chuva, produtores da região têm precisado adaptar o manejo para manter a produtividade.

Na região de Maringá, no norte do Paraná, a equipe esteve na propriedade do produtor Gustavo Corazza, que nesta safra cultivou 670 hectares de soja. Apesar do período de tempo seco no início do ciclo, não houve necessidade de replantio. Ainda assim, as perdas provocadas por adversidades climáticas nos últimos anos seguem como um ponto de atenção.

“O principal gargalo da produção está concentrado no final do ciclo da soja. Foi nesse período que ocorreram as maiores perdas nas últimas safras. Embora, até o momento, o desenvolvimento esteja dentro do esperado, o resultado final ainda depende das condições climáticas até o encerramento do ciclo”, afirma o produtor.

No Sul do país, as últimas cinco safras foram impactadas por problemas climáticos, seja por estiagens prolongadas, seja por excesso de chuvas. Diante desse cenário, a adaptação do manejo passou a ser uma estratégia essencial para a sustentabilidade da produção.

“Buscamos escalonar o plantio e selecionar variedades com ciclos mais estáveis, especialmente em relação à tolerância à falta de chuva”, explica Corazza.

Além da escolha genética, práticas agrícolas voltadas à conservação do solo vêm sendo intensificadas nas propriedades. “Também adotamos manejos que contribuem para a mitigação do estresse hídrico, como a manutenção de palhada proveniente do consórcio com o milho, o que proporciona maior conforto térmico às plantas de soja”, acrescenta.

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), o Paraná enfrentou uma das maiores quebras na produção de soja na safra 2022. A expectativa inicial era de uma colheita em torno de 20 milhões de toneladas, mas as condições climáticas adversas reduziram a produção para aproximadamente 12 milhões de toneladas. Para a safra atual, o cenário é mais equilibrado, embora ainda demande cautela.

“Safras mais favoráveis acabaram compensando parcialmente os resultados frustrados desse período. Atualmente, o custo de produção por hectare gira entre 26 e 27 sacas. Considerando uma produtividade média histórica de 57 sacas nos últimos dez anos, a atividade ainda apresenta viabilidade econômica”, avalia Edemar Gervásio, analista do departamento.

Com a previsão de ocorrência de La Niña em intensidade moderada, a atenção às condições meteorológicas deve permanecer elevada. O Paraná está localizado em uma zona de transição climática entre as regiões Sul e Centro-Oeste e também sofre influência de sistemas atmosféricos provenientes de países vizinhos, como o Paraguai, o que pode favorecer a ocorrência de eventos mais extremos.

“O produtor, ao longo de dez safras, tende a perder uma ou duas por fatores climáticos. No entanto, sem investimentos em tecnologia e em métodos de mitigação desses riscos, esse número pode aumentar significativamente, comprometendo a sustentabilidade da atividade no médio e longo prazo”, conclui.

Canal Rural