2025/26: Soja e milho, o que esperar da safra no Brasil
As projeções para a safra 2025/26 indicam um cenário de maior protagonismo do Brasil nos mercados globais de soja e milho. As estimativas iniciais apontam produção elevada, com impactos diretos sobre preços, exportações e formação de estoques.
Pesquisadores do Cepea avaliam que, apesar de fatores externos e climáticos, o país tende a manter posição central no abastecimento mundial dos grãos ao longo de 2026.
Soja: Brasil ganha espaço no comércio internacional
A safra brasileira de soja 2025/26 caminha para um novo recorde de produção, enquanto a oferta global deve encolher. A redução está concentrada, principalmente, nos Estados Unidos e na Argentina. Esse descompasso entre oferta e demanda reforça o papel do Brasil no mercado internacional.
Segundo pesquisadores do Cepea, o país pode responder por cerca de 60% do fornecimento mundial de soja. Esse cenário sustenta expectativas de melhora nos preços externos e nas negociações de embarques pelos portos brasileiros no primeiro semestre de 2026.
Parte do movimento de recuperação está ligada ao acordo comercial entre China e Estados Unidos. O compromisso prevê aumento das compras chinesas de soja norte-americana entre 2026 e 2028. Ainda assim, a avaliação é de que a demanda chinesa pela soja brasileira deve permanecer elevada, garantindo sustentação aos prêmios de exportação.
No mercado interno, a taxa de câmbio segue como variável central na formação de preços. No cenário internacional, o dólar tende a enfrentar pressão após o Federal Reserve reduzir os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,5% e 3,75% ao ano.
Por outro lado, o avanço das cotações pode encontrar limites na maior competitividade da Argentina. O governo argentino reduziu as retenciones sobre o complexo soja, medida que tende a estimular as exportações do país vizinho.
Milho: oferta elevada limita reação de preços no início do ano
O mercado brasileiro de milho inicia 2026 com ampla disponibilidade interna. Estoques de passagem acima dos registrados na temporada anterior e a expectativa de crescimento da primeira safra pesam sobre os preços domésticos, segundo o Cepea.
Na B3, os contratos operam abaixo dos níveis da safra passada. Já no mercado externo, os futuros negociados na CME indicam trajetória de alta ao longo do primeiro semestre, sustentados pelo ritmo forte das exportações dos Estados Unidos e por um quadro global de estoques mais ajustados.
A área cultivada no Brasil deve atingir novo recorde na safra 2025/26, estimada pela Conab em 22,7 milhões de hectares. No entanto, a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas no Centro-Oeste seguem como pontos de atenção. Esses fatores podem afetar a soja e reduzir a janela ideal de plantio do milho de segunda safra, responsável por cerca de 80% da produção nacional.
A produção total prevista deve ser a segunda maior da história. Ao mesmo tempo, o consumo interno tende a alcançar novo recorde, impulsionado pela expansão do etanol de milho e pela demanda da cadeia de proteínas animais. Esse equilíbrio entre oferta e demanda pode favorecer o crescimento das exportações brasileiras ao longo de 2026.
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