Com mudanças no microclima: Rara e pouco estudada, árvore brasileira pode desaparecer
O Crinodendron brasiliense, conhecido como cinzeiro-pataguá, é uma espécie de árvore rara que ocorre apenas em áreas acima de 1.500 metros na Serra Catarinense, em florestas nebulares e de araucária, onde o clima permanece úmido e frio a maior parte do ano.
Quase todos os indivíduos conhecidos vivem no Parque Nacional de São Joaquim, tornando a unidade fundamental para a preservação da espécie.
Descrita na década de 1970, a árvore permanece pouco documentada, e mudanças no microclima, no regime hídrico ou na estrutura da vegetação podem afetar diretamente sua permanência no ambiente.
Pela distribuição reduzida e pela dependência de condições ambientais específicas, o cinzeiro-pataguá está classificado como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A espécie pode atingir cerca de 12 metros de altura. Possui tronco ereto, ramos pendentes e flores brancas em formato campanulado. Frutos e sementes apresentam variação entre indivíduos, o que tem sido observado em pesquisas de campo e contribui para o entendimento da diversidade genética da população.
Por muitos anos, pouco se sabia sobre sua ecologia. Levantamentos e pesquisas vinculadas ao Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração – Biodiversidade de Santa Catarina (PELD-BISC) vêm ampliando o conhecimento sobre sua distribuição e características.
Estudos recentes indicam que a espécie apresenta taxas de germinação baixas, fator que limita sua regeneração natural e reforça a necessidade de proteção contínua de seu habitat.
Importância do parque na preservação
A maior parte da população do cinzeiro-pataguá conhecida dentro dos limites do Parque Nacional, o que coloca a unidade de conservação no centro das ações de proteção.
O parque, criado 1961, e um dos mais importantes e antigos parques nacionais do sul do Brasil, mantém as condições ambientais necessárias para a espécie e oferece um ambiente seguro para o avanço de pesquisas científicas.
O pesquisador Rafael Barbizan Sühs, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Clemson University (EUA), destaca o papel decisivo da unidade.
“Sem a proteção legal e o manejo adequado desse território, as chances de sobrevivência seriam menores. O parque não é apenas um refúgio; é um laboratório natural que permite gerar o conhecimento necessário para garantir que essa árvore continue existindo”, destaca.
Ameaça
Mesmo com a proteção, há desafios. A presença de javalis, que podem consumir frutos e sementes, interfere na regeneração da população. O manejo dos campos nativos também é fundamental. O acúmulo de biomassa favorece a propagação de incêndios, como os registrados em 2020, que atingiram áreas florestais dentro parque.
Práticas como queimas prescritas, quando planejadas de forma técnica, ajudam a reduzir esse risco e contribuem para a manutenção do mosaico de vegetação típico da região.
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