Em 2025: Mesmo com tarifaço e queda em volume, café garante receita recorde
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos, entraves logísticos e problemas climáticos foram alguns dos desafios enfrentados pelo setor cafeeiro brasileiro em 2025. Apesar disso, o saldo do ano é positivo. O principal destaque foi a receita das exportações, que atingiu nível recorde, apesar da redução no volume embarcado.
Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o país exportou 36,8 milhões de sacas, volume 20% menor na comparação anual. Ainda assim, a forte valorização dos preços sustentou o resultado financeiro.
O preço médio da saca foi de US$ 387, alta de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, a receita cambial atingiu US$ 14,3 bilhões, crescimento de 25% e recorde histórico para o setor.
Segundo Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, esse valor representa cerca de R$ 80 bilhões em receita cambial. Ele destaca que o Brasil é o país que mais repassa o preço de exportação ao produtor. “Quanto maiores os volumes e maior a agregação de valor, maior é a renda no campo e a prosperidade”, afirma.
Café mantém peso econômico e social
No ranking do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária em 2025, o café ocupou a quinta posição, com quase R$ 115 bilhões, atrás da cana-de-açúcar, milho, carne bovina e soja.
De acordo com Matos, esse desempenho reforça a importância econômica, social e ambiental da cafeicultura, atividade majoritariamente desenvolvida por agricultores familiares.
Tarifas dos EUA seguem como desafio
Segundo o diretor-geral do Cecafé, entre agosto e novembro, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos provocou queda de 55% nas vendas ao principal mercado consumidor de café do mundo.
As exportações foram retomadas em volumes significativos, reduzindo parte das perdas. No entanto, o impacto persiste no segmento de café solúvel, que continua sujeito à tarifa de 50%.
Expectativa para 2026
Para 2026, a expectativa do setor é de melhora na safra, condicionada ao clima nos próximos meses. “O enchimento de grãos, em janeiro e fevereiro, é decisivo. Se as chuvas forem regulares, o Brasil pode ter maiores volumes, com preços ainda remuneradores”, avalia Matos.
Segundo ele, o setor encerra o ano com desafios superados e entra em 2026 preparado para um novo ciclo. Conforme a quarta estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção nacional de café em 2025 deve atingir 56,5 milhões de sacas beneficiadas, crescimento de 4,3% em relação a 2024.
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