Alteração: Mudança na classificação da tilápia pode impactar setor em MS
Com a possibilidade de a Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) enquadrar a tilápia como espécie exótica invasora, o setor entrou em alerta.
Em 2025, o setor em Mato Grosso do Sul exportou quase 2 mil toneladas, o que corresponde a uma receita superior a US$ 10 milhões. No cenário nacional, o Estado ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores de tilápia, ficando atrás apenas do Paraná e de São Paulo.
Segundo levantamento feito pelo Sistema Famasul, em um intervalo de apenas três anos, Mato Grosso do Sul ampliou em mais de 3 mil% o volume exportado, saindo de 55 toneladas em 2023. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que, em 2024, a tilápia liderou o ranking das espécies mais cultivadas no Estado, somando quase 22 mil toneladas.
A votação está prevista para o próximo dia 27 de maio. Segundo análise elaborada pela Peixe BR, caso a medida seja aprovada, poderá impactar as exportações brasileiras e provocar reflexos em toda a cadeia produtiva.
A associação prevê que a decisão pode ser interpretada internacionalmente como um reconhecimento oficial de risco ambiental pelo próprio governo brasileiro, o que pode abrir precedentes para restrições sanitárias, ambientais e comerciais em mercados considerados estratégicos para o setor.
Mercado americano
O Brasil é o principal exportador da espécie para o mercado americano. Atualmente, aproximadamente 85% das exportações nacionais de tilápia têm como destino os Estados Unidos, movimentando cerca de US$ 35 milhões por ano.
O estudo aponta ainda um precedente considerado crítico para o setor.
“Em 2010, os Estados Unidos classificaram a carpa asiática como espécie invasora. Como consequência, as exportações chinesas da espécie registraram queda de aproximadamente 97% em apenas um ano, sem recuperação posterior do mercado”, afirmou o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros.
Com essa avaliação, a Peixe BR projeta que a classificação da tilápia como espécie invasora pode resultar em redução de até 90% das exportações da espécie em um período de seis meses.
O Estado Online













