Campo: Além da produção: suinocultura busca estratégias para atrair, capacitar e reter trabalhadores no campo

Setembro 21, 2026 - 06:34
Campo: Além da produção: suinocultura busca estratégias para atrair, capacitar e reter trabalhadores no campo
(Divulgação)

O avanço e a constante modernização da suinocultura vêm acompanhados de um desafio estratégico que ultrapassa os índices de produtividade e o ambiente interno das granjas: a atração, o desenvolvimento e a retenção de talento. Diante de um mercado de trabalho dinâmico e disputado, criar condições para que os profissionais se qualifiquem e permaneçam na atividade tornou-se fundamental para o futuro do setor

O tema esteve em debate na mesa-redonda “Como atrair, desenvolver e reter profissionais na suinocultura”, promovida durante o 8º Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, em Dourados. Organizado pela Asumas ( Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores), o painel reuniu lideranças como o superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan; o diretor executivo da Agroceres PIC, Alexandre Rosa; o coordenador corporativo de suinocultura da Aurora Coop, Sérgio Carvalho; e o suinocultor e diretor da Asumas, Milton Bigatão

A discussão reflete um gargalo nacional já evidenciado em eventos do setor. A falta de mão de obra qualificada está diretamente ligada à alta rotatividade, à atração limitada das novas gerações, à necessidade de treinamento contínuo e a estruturas de gestão de pessoas ainda pouco consolidadas em diversas propriedades

A nova dinâmica do trabalhador rural

De acordo com o superintendente do Senar/MS, Lucas Galvan, o agronegócio vive um momento de transição. As granjas têm acolhido profissionais sem histórico no meio rural e lidam com a convivência entre diferentes gerações. Nesses novos perfis, a remuneração permanece importante, mas divide relevância com fatores como qualidade de vida, moradia, conectividade, ambiente de trabalho, benefícios e perspectiva de carreira. “A turma que está chegando ao mercado de trabalho não está mais trabalhando só por conta do salário. Se ela não estiver conectada com o propósito do negócio, vai buscar outras oportunidades. Precisamos gastar energia e tempo na contratação, conversar com esse profissional e trazê-lo para a cultura da empresa”*, pontuou Galvan

Nesse contexto, a retenção surge como a principal barreira. O diretor executivo da Agroceres PIC, Alexandre Rosa, ressaltou que atrair candidatos já não é o maior gargalo, mas sim mantê-los. Para isso, o investimento na preparação de líderes torna-se indispensável no gerenciamento de equipes heterogêneas. Na própria Agroceres PIC, as mulheres já ocupam cerca de 60% do quadro de colaboradores das granjas.

Automação altera funções e exige constante requalificação

A evolução tecnológica nas propriedades, marcada pelo uso de sistemas automatizados, monitoramento digital e equipamentos de ponta, reduz a necessidade de trabalhos braçais repetitivos e de risco, alterando o perfil das qualificações exigidas

O diretor da Asumas, Milton Bigatão, reforça que a tecnologia não extingue postos de trabalho, mas exige novos conhecimentos dos colaboradores. Com transformações constantes, o processo de aprendizagem passa a ser contínuo ao longo de toda a trajetória profissional.

Para responder a essa exigência, entidades de capacitação têm ajustado suas metodologias. O Senar/MS aposta no aperfeiçoamento de competências comportamentais e relacionais, além da parte técnica, oferecendo treinamentos mais curtos e focados em demandas pontuais. Nos últimos quatro anos, a instituição atendeu mais de 2 mil pessoas em sete cursos voltados à suinocultura, avançando também na orientação sobre gestão e organização das propriedades.

Entre as soluções desenvolvidas em parceria com o setor está a Trilha do Conhecimento, estruturada em conjunto com a Asumas para orientar a qualificação e a progressão de carreira tanto de novos ingressantes quanto de profissionais que já atuam nas granjas.

Preparo para o mercado do futuro

A tendência apontada pelas lideranças do setor é de uma suinocultura cada vez mais orientada por dados, inteligência e eficiência operacional[cite: 1]. No entanto, a automação eleva a necessidade de profissionais capacitados para lidar com a complexidade desses sistemas.

Como a disputa por trabalhadores ocorre tanto entre cadeias do próprio agronegócio quanto com outros setores da economia, tornar a carreira no campo atrativa demanda planejamento a longo prazo. “Assim como a empresa não olha mais apenas o currículo, o trabalhador também não olha somente o salário. Precisamos pensar no que vem depois, quais perspectivas de crescimento profissional, condições de trabalho e motivadores vamos oferecer para atrair e manter essas pessoas”, concluiu Galvan

O Estado Online