Integração sul-americana: Após mais de quatro anos, ponte da Rota Bioceânica une Brasil e Paraguai
Iniciadas em 14 de janeiro de 2022, as obras da Ponte da Rota Bioceânica alcançam nesta quarta-feira (15), um dos momentos mais simbólicos de sua construção: o encontro definitivo entre as estruturas erguidas simultaneamente por Brasil e Paraguai sobre o Rio Paraguai. O chamado “beijo das aduelas” marca a união física da ponte que liga Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, consolidando um marco histórico para a integração sul-americana.
Ao longo de mais de quatro anos de execução, a obra avançou por diferentes etapas, desde a implantação das fundações e pilares até a construção do trecho estaiado de 1.294 metros. Com investimento de aproximadamente US$ 100 milhões, financiado pela Itaipu Binacional (margem paraguaia), a ponte é considerada o principal eixo da Rota Bioceânica, corredor logístico que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile aos portos do Oceano Pacífico.
A união das estruturas representa o fim de uma das fases mais complexas da engenharia da obra. Embora ainda restem serviços de acabamento, pavimentação e instalação dos sistemas operacionais até a entrega definitiva, prevista para este ano, o encontro das duas extremidades simboliza a concretização de um projeto aguardado há décadas.
Com a conclusão da ponte, a expectativa é reduzir em milhares de quilômetros o trajeto de exportações brasileiras rumo aos mercados asiáticos, além de impulsionar o desenvolvimento econômico, o turismo e a integração entre os países que compõem a Rota Bioceânica.
Uma conexão estratégica
No total, a Rota Bioceânica terá aproximadamente 2.396 quilômetros de extensão: 890 km no Brasil, 605 km no Paraguai, 531 km na Argentina e 370 km no Chile. No Paraguai, atravessará a região do Chaco e conectará áreas produtivas a portos e postos de fronteira, integrando o país a uma rede estratégica de comércio internacional.
No Paraguai, a rodovia internacional está sendo construída em etapas. A primeira etapa, que consistiu na pavimentação de 277 quilômetros entre Carmelo Peralta e Loma Plata, foi concluída em fevereiro de 2022, com um investimento de US$ 443 milhões.
A segunda etapa, atualmente em fase de gestão, inclui 103 quilômetros de pavimentação asfáltica, com um investimento estimado em US$ 200 milhões e financiamento previsto do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
A terceira etapa abrange 225 quilômetros entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, no departamento de Boquerón, e sua construção está sendo realizada graças a um empréstimo de 354 milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento Fonplata.
O Estado Online







