Novo tipo: Pesquisa da Unicamp desenvolve novo açúcar que reduz pico de glicose pela metade
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, desenvolveram um novo tipo de açúcar que pode ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue. Produzido a partir de uma mistura de cana-de-açúcar, café verde e pele de amendoim, o produto apresentou resultados promissores nos primeiros testes: o pico de glicose na corrente sanguínea foi reduzido, em média, pela metade.
Os experimentos foram realizados com 25 voluntários. Segundo informações divulgadas pelo SBT News neste domingo (1º), a combinação dos três ingredientes faz com que o açúcar seja absorvido mais lentamente pelo organismo, evitando uma elevação rápida da glicose no sangue.
A pesquisa busca desenvolver uma alternativa que possa contribuir para o controle glicêmico, especialmente entre pessoas que precisam monitorar os níveis de açúcar no organismo.
Redução do pico de glicose
O aumento rápido e frequente da glicose no sangue é uma preocupação para a saúde, principalmente por estar associado a alterações metabólicas e ao desenvolvimento de doenças como o diabetes tipo 2. A proposta dos pesquisadores é modificar a forma como o organismo absorve o açúcar, tornando esse processo mais lento. Com isso, a expectativa é reduzir os picos glicêmicos após o consumo.
Coordenadora do estudo e professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, Juliana Macedo avalia que o produto poderá ser um aliado na alimentação de pessoas com diabetes e outras condições metabólicas. “Uma pessoa com uma dieta controlada para tentar evitar a piora da diabetes tipo 2, de uma desordem metabólica, síndrome metabólica, teoricamente usufruiria bastante de um açúcar desse tipo”, explica.
Pesquisa terá novos testes na Itália
Apesar dos resultados iniciais, o produto ainda precisa passar por novas etapas de avaliação antes de uma possível chegada ao mercado.
Uma das próximas fases será realizada na Universidade de Bolonha, na Itália. Os pesquisadores pretendem investigar possíveis efeitos do açúcar sobre as bactérias que compõem a microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que desempenha funções importantes no funcionamento do organismo.
A equipe responsável pelo desenvolvimento também já encaminhou um pedido de patente para proteger a tecnologia.
Os resultados obtidos até agora são considerados preliminares. Novos estudos serão necessários para confirmar os efeitos do produto, avaliar sua segurança e verificar se os benefícios observados nos primeiros voluntários também se repetem em grupos maiores.
O Estado Online










