Valor: Arroba do boi gordo já superou os R$ 350; o que esperar de março?

Fevereiro 23, 2026 - 05:13
Valor: Arroba do boi gordo já superou os R$ 350; o que esperar de março?
Foto: Governo de Mato Grosso

O mercado físico do boi gordo voltou a apresentar elevação em seus preços ao longo da semana de Carnaval, em um ambiente ainda pautado pela severa restrição de oferta.

O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que a indústria frigorífica encontra muita dificuldade na composição de suas escalas de abate, o que leva ao ambiente de altas sequenciais dos preços da arroba do boi gordo.

“As pastagens apresentam boas condições em muitos estados brasileiros, fazendo com que o pecuarista consiga cadenciar o ritmo das negociações. Outro ponto a ser mencionado é que a demanda segue aquecida, com bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina neste primeiro bimestre”, disse.

O que esperar de março?

Iglesias ressalta que a baixa oferta vivida ao longo de fevereiro pode levar a B3 a operar em níveis ainda mais altos até o final de fevereiro e início de março. “Vimos negócios a R$ 360 em São Paulo no mercado físico”, relata.

Já o coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, considera que o próximo mês também será marcado por escassez de oferta, fator que ajudará a sustentar a arroba nos atuais níveis.

“O mês de março poderia ser crítico por conta do descarte de fêmeas que não emprenharam, mas, neste ano, a questão dos repasses estão sendo interessantes para o produtor, com os preços da reposição estimulantes, então não enxergo potencial de muito descarte em março, como aconteceu nos últimos anos. Assim, não será um fator que pressionará as cotações da arroba”.

Fabbri destaca, ainda, que a demanda doméstica tem surpreendido, sendo, também, responsável pela escalada de preços da arroba. “Em janeiro, 14 cortes de carne subiram no varejo em um mercado que observa uma renda extra rodando na economia por conta da isenção do imposto de renda, que gera cerca de R$ 350 a mais por pessoa, valor que, se convertido em carne, dá cerca de 7kg para ser consumido, além de outros benefícios sociais que entraram na economia nos últimos meses, bem como a taxa de desemprego, que está baixa, o que faz com que o mercado doméstico seja uma grata surpresa”, salienta.

Salvaguardas chinesas: ‘tiro saiu pela culatra’

Quanto às exportações, Fabbri acredita que as salvaguardas chinesas que limitaram as compras de carne bovina brasileira a 1,1 milhão de toneladas não tiveram o efeito esperado pelos asiáticos.

“Diria que o tiro saiu pela culatra porque acabou gerando uma aceleração de procura pelos importadores chineses em relação à carne brasileira. Uruguai e Argentina também se beneficiaram em um contexto em que os Estados Unidos também segue muito forte. Fevereiro deve ser de recorde de exportação brasileira para o mês, com o país facilmente embarcando mais de 200 mil toneladas de carne, mesmo com o menor ritmo do período de Carnaval”, conclui.

Preço da arroba e atacado

Em São Paulo, arroba do boi superou a faixa de R$ 350 nesta semana, patamar que já era observado em negociações pontuais antes da semana de Carnaval. Já em Mato Grosso, foram registrados negócios a R$ 326 e, em Minas Gerais, a R$ 336 reais.

“No atacado, os preços da carne bovina também seguiram firmes, mas para a próxima semana a expectativa é que esses preços não encontrem suporte, considerando a reposição mais lenta em um momento de fraco consumo”, projeta o analista.

Segundo ele, vale ressaltar que a carne bovina ainda perde competitividade em relação às proteínas concorrentes, em especial no comparativo com a carne de frango.

Exportação de carne bovina

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 765,369 milhões em fevereiro até o momento (10 dias úteis), com média diária de US$ 76,537 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 136,800 mil toneladas, com média diária de 13,680 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.594,80.

Em relação a fevereiro de 2025, houve alta de 63,1% no valor médio diário da exportação, ganho de 43,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 13,5% no preço médio.

*Com informações de Safras News