Alerta especialista: Alergia pode surgir na vida adulta e, em casos graves, levar à morte
A confirmação de que a ex-deputada estadual e ex-vereadora de Campo Grande Grazielle Machado morreu em decorrência de um choque anafilático reacendeu um alerta sobre um tema cercado por dúvidas: afinal, alergias podem aparecer mesmo depois da infância? Segundo especialistas, sim. Ao contrário do que muitos imaginam, uma pessoa pode desenvolver uma reação alérgica pela primeira vez já na vida adulta e, dependendo da intensidade, o quadro pode evoluir rapidamente e colocar a vida em risco.
O laudo médico divulgado no dia 29 de junho, após a morte de Grazielle, apontou o choque anafilático como causa do óbito. A reação alérgica é considerada uma emergência médica e pode provocar queda de pressão, falta de ar e comprometimento de diferentes órgãos em poucos minutos.
Presidente regional da ASBAI-MS (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), o médico alergista e imunologista Adolfo Adami explica que o surgimento de uma alergia não está restrito à infância. “A alergia pode surgir em qualquer momento da nossa vida”, afirma o especialista.
Segundo ele, para que isso aconteça, normalmente é necessária a combinação entre predisposição genética e contato com a substância responsável pela reação. Entre os adultos, as alergias mais frequentes são provocadas por medicamentos e alimentos. “O que mais surgem são alergias a medicamentos e depois para alimentos, sendo frutos do mar, peixe e castanhas os mais comuns nos adultos”, explica Adami.
Mesmo manifestações consideradas leves merecem atenção. O médico orienta que sintomas como placas avermelhadas na pele, inchaço de lábios ou pálpebras, coceira na boca, falta de ar, sintomas intestinais ou reações após o consumo de medicamentos, alimentos ou ferroadas de insetos já justificam avaliação especializada.
O diagnóstico é feito a partir da história clínica, exame físico e exames complementares. Embora algumas alergias possam desaparecer ao longo da vida, o especialista ressalta que essa não é a situação mais comum.
Nos casos mais graves, o risco aumenta quando mais de um sistema do organismo é afetado ao mesmo tempo. “Quando há acometimento de dois ou mais sistemas, como pele e respiratório, pele e gastrointestinais, queda de pressão ou falta de ar, implica em risco de morte”, alerta.
Adami também explica que pessoas que tiveram alergias na infância tendem a apresentar maior predisposição para desenvolver novas reações ao longo da vida. Além disso, fatores como estresse e mudanças no estilo de vida podem aumentar essa probabilidade, desde que exista predisposição genética.
Outro ponto destacado pelo especialista é a dificuldade de acesso ao principal medicamento indicado para emergências por anafilaxia. Atualmente, a caneta de adrenalina não é disponibilizada no Brasil de forma ampla e os pacientes precisam adquiri-lá por meio de importação, com custo elevado.
Rinite lidera entre as alergias respiratórias no Brasil
As alergias respiratórias estão entre as doenças crônicas mais comuns no país. Dados da ASBAI apontam que a rinite alérgica pode afetar entre 30% e 40% da população brasileira, sendo a manifestação alérgica respiratória mais frequente.
Os sintomas costumam surgir logo após a exposição ao agente desencadeante e incluem espirros em sequência, coriza transparente, coceira no nariz e congestão nasal. Algumas pessoas também apresentam coceira nos olhos e na garganta, tosse seca e pigarro.
A ASBAI destaca ainda a forte relação entre rinite e asma. Pacientes com rinite mal controlada têm maior risco de desenvolver asma, enquanto a maioria das pessoas com asma alérgica também apresenta rinite. Por isso, o tratamento adequado das duas doenças é considerado essencial para o controle dos sintomas.
O diagnóstico é feito principalmente por meio da avaliação clínica, levando em conta os sintomas, o histórico familiar e o exame físico. Quando necessário, o médico pode solicitar testes alérgicos ou exames laboratoriais para identificar o agente responsável pelas reações. Além do tratamento medicamentoso, especialistas recomendam evitar a exposição aos alérgenos, manter os ambientes limpos, bem ventilados e livres de mofo, além de adotar hábitos saudáveis, como prática regular de atividade física, boa alimentação e sono adequado.
O Estado Online







