Números: Mesmo com recorde nominal, Plano Safra é alvo de críticas do setor rural

Julho 6, 2026 - 16:33
Números: Mesmo com recorde nominal, Plano Safra é alvo de críticas do setor rural
(Divulgação)

O Plano Safra 2026/2027, apesar de ter sido anunciado com volume recorde nominal de recursos, vem sendo alvo de críticas do setor produtivo rural. O Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) avalia que, mais do que o total divulgado, a efetividade da política de crédito depende do acesso real do produtor ao financiamento.

Segundo a entidade, o principal ponto de preocupação está na redução dos recursos destinados ao custeio e à comercialização, que passaram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, uma queda de aproximadamente R$ 30 bilhões em relação ao ciclo anterior. Essa linha é considerada essencial para financiar despesas do dia a dia da produção, como sementes, fertilizantes, defensivos e combustíveis.

Ao mesmo tempo, houve aumento dos recursos voltados às linhas de investimento, que passaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões. Para a Famasul, embora importantes para o desenvolvimento do setor, esses recursos não atendem à demanda imediata dos produtores, que enfrentam custos elevados e necessidade de recomposição de fluxo de caixa.

A entidade também chama atenção para a composição do crédito anunciado. Dos R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial, apenas 18,47% correspondem a operações com juros equalizados, nas quais o governo subsidia parte do custo financeiro. Para o setor, isso limita o alcance efetivo do crédito rural.

Outro ponto destacado é que a oferta de crédito não garante, necessariamente, o acesso ao financiamento. Custos adicionais, como seguros, tarifas e exigências operacionais, elevam o valor final das operações e dificultam o acesso, especialmente em um cenário de maior endividamento no campo.

A Famasul também aponta redução significativa em linhas específicas. No caso do Moderfrota, por exemplo, os recursos caíram de R$ 9,5 bilhões para R$ 3,7 bilhões, uma redução de cerca de 61%, mesmo com a queda na taxa de juros de 13,5% para 12,5%.

Além disso, o Sistema Famasul critica a ausência de medidas mais robustas de apoio à gestão de risco e à recuperação financeira dos produtores. Entre os pontos citados estão a falta de definição de recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), defendido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além da ausência de avanços em propostas como o fortalecimento do Fundo Garantidor, a atualização do Pronamp e iniciativas de renegociação de dívidas.

Para a entidade, o Plano Safra segue como principal instrumento da política agrícola brasileira, mas sua efetividade deve ser medida pela capacidade de oferecer crédito acessível e compatível com a realidade econômica do produtor rural, e não apenas pelo volume total anunciado.

O Estado Online