Alerta especialista: El Niño pode afetar criação de peixes e elevar risco de mortalidade em viveiros

Agosto 4, 2026 - 05:27
Alerta especialista: El Niño pode afetar criação de peixes e elevar risco de mortalidade em viveiros
(Divulgação)

A previsão de permanência do El Niño até o início de 2027 acende um alerta para a piscicultura brasileira. Inpe (Segundo monitoramentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), o fenômeno tem mais de 90% de probabilidade de continuar ativo nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade “muito forte” entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

O aumento da temperatura da água provocado pelo El Niño pode comprometer diretamente a produção de peixes em viveiros. De acordo com o zootecnista e consultor técnico comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal, Cleber Daniel Almeida, o aquecimento reduz a quantidade de oxigênio dissolvido na água, altera o comportamento dos peixes e exige mudanças no manejo para evitar prejuízos.

“Com a água mais quente, os peixes entram em estresse e passam a consumir menos alimento. Além disso, a menor disponibilidade de oxigênio compromete a digestão e o aproveitamento dos nutrientes, afetando o ganho de peso e a produtividade dos lotes”, explica o especialista.

Como os peixes são animais pecilotérmicos, ou seja, dependem da temperatura do ambiente para regular o próprio organismo, qualquer alteração acima da faixa ideal interfere diretamente no metabolismo. Nessas condições, os animais direcionam mais energia para manter as funções vitais, reduzindo o crescimento e a eficiência alimentar.

Outro fator de preocupação é a qualidade da água. Períodos prolongados de calor favorecem a proliferação de bactérias e outros microrganismos, aumentando o risco de doenças nos viveiros. Durante a madrugada, quando os níveis de oxigênio costumam ser mais baixos, também cresce a possibilidade de episódios de hipóxia — deficiência de oxigênio nos tecidos — e até de mortalidade dos peixes.

Para reduzir os impactos, especialistas recomendam que os piscicultores adotem medidas preventivas, como fornecer a ração nos horários mais frescos do dia, fracionar a alimentação, utilizar dietas que favoreçam o melhor aproveitamento dos nutrientes e monitorar constantemente a temperatura e os níveis de oxigênio da água.

O uso de aeradores também é apontado como uma estratégia importante para manter a qualidade da água e minimizar os efeitos do estresse térmico, especialmente durante os períodos mais quentes previstos com a atuação do El Niño.

Segundo Cleber Almeida, o acompanhamento diário das condições dos viveiros será essencial para preservar a saúde dos peixes e reduzir perdas na produção enquanto o fenômeno climático permanecer influenciando o clima brasileiro.

O Estado Online