Indústria: Proteína animal ganha força e amplia presença de MS no mercado internacional

Setembro 13, 2026 - 18:08
Indústria: Proteína animal ganha força e amplia presença de MS no mercado internacional
Arte criação Pedro Lopez por Dola

A indústria de carnes de Mato Grosso do Sul passou por uma transformação significativa nos últimos 20 anos e consolidou o Estado entre os principais polos de produção de proteína animal do país. Entre 2006 e 2025, a receita obtida com as exportações de carnes bovina, suína e de frango saltou de US$ 196,1 milhões para US$ 2,47 bilhões, crescimento de 1.157%.

Os números fazem parte de levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul e mostram que o avanço ocorreu acompanhado de ganhos de produtividade, expansão das operações e conquista de novos mercados internacionais.

O desempenho das exportações também veio acompanhado pela geração de empregos. O número de trabalhadores formais na indústria frigorífica passou de 20.651, em 2006, para 40.656 em 2025. O crescimento de quase 97% mantém o segmento como um dos principais empregadores da indústria Sul-mato-grossense.

O avanço da indústria ocorre paralelamente a um recorde histórico na produção de carne bovina. Em 2025, Mato Grosso do Sul ultrapassou a marca de 1,06 milhão de toneladas produzidas, maior volume registrado na série histórica.

Atualmente, o Estado responde por aproximadamente 10% da produção nacional de carne bovina, reforçando sua importância na cadeia de proteína animal brasileira.

Um dos aspectos que chamam atenção no levantamento é que o crescimento da indústria não ocorreu necessariamente pela instalação de um grande número de novos frigoríficos. A expansão esteve principalmente relacionada ao aumento da capacidade produtiva das unidades já instaladas.

O movimento ocorre em um período de mudanças na própria composição da produção estadual. Áreas anteriormente destinadas à pecuária passaram a ser utilizadas também por atividades como agricultura, cana-de-açúcar e florestas plantadas. Mesmo assim, a produção de carne atingiu seu maior patamar.

China lidera demanda pela carne de MS

No mercado internacional, a China aparece como o principal destino da proteína animal produzida em Mato Grosso do Sul. A presença brasileira no mercado asiático tem sido um dos fatores que contribuíram para ampliar as oportunidades de exportação para os frigoríficos estaduais.

Apesar do crescimento das vendas externas, a maior parte da carne produzida em Mato Grosso do Sul continua destinada ao mercado brasileiro. Segundo informações do setor, cerca de 65% da produção permanece no mercado interno.

Para a indústria, a combinação entre demanda doméstica e acesso ao mercado internacional ajuda a sustentar a atividade e amplia as possibilidades de comercialização para os produtores.

O fortalecimento das exportações não fica restrito aos frigoríficos. O desempenho do setor tem reflexos sobre toda a cadeia produtiva, desde a criação e engorda do gado até o transporte, processamento industrial e comercialização.

A maior presença no mercado externo também pode contribuir para a valorização da arroba e aumentar a competição pela matéria-prima entre os frigoríficos.

Ao mesmo tempo, o setor começa a enfrentar novos desafios. Entre eles estão a disponibilidade de animais para abate, a redução relativa das áreas de pastagem e a necessidade de manter investimentos em produtividade e capital de giro.

Ainda assim, os números mostram uma mudança importante no perfil da economia sul-mato-grossense: o Estado não apenas ampliou a produção agropecuária, mas também aumentou sua capacidade de transformar essa matéria-prima em produtos industrializados destinados ao mercado mundial.

A indústria frigorífica, nesse cenário, permanece como uma das principais engrenagens da economia estadual, combinando geração de empregos, agregação de valor à produção rural e entrada de divisas por meio das exportações.

CARNE SUÍNA

Além da exportação em massa de carne bovina, a carne suína tem ganhado espaço no cenário internacional. As exportações crescem 8% em agosto e acumulam 1,05 milhão de toneladas

As exportações brasileiras de carne suína alcançaram 131,1 mil toneladas em agosto, alta de 8% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram embarcadas 121,5 mil toneladas. Apesar do avanço no volume, a receita recuou 1,7%, para US$ 289,9 milhões.

No acumulado de janeiro a agosto, o desempenho é ainda mais expressivo. O Brasil exportou 1,057 milhão de toneladas, crescimento de 8,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita chegou a US$ 2,447 bilhões, alta de 4,8%.

A diversificação dos mercados compradores também chama atenção. As Filipinas lideraram os destinos em agosto, enquanto Japão, China e Vietnã registraram crescimento significativo nas compras. O Japão, por exemplo, ampliou em 92,9% o volume adquirido, enquanto os embarques para a China cresceram 45,9%.

Carne de Frango

O mercado internacional voltou a ampliar a demanda pela carne de frango brasileira. Em agosto, as exportações somaram 492,6 mil toneladas, volume 24,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

O avanço também foi expressivo em receita. Os embarques movimentaram US$ 997,9 milhões, alta de 42,7% em relação aos US$ 699,5 milhões registrados em agosto do ano passado. O resultado foi o segundo melhor da série histórica, atrás apenas do desempenho de maio deste ano.

Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 3,921 milhões de toneladas de carne de frango, crescimento de 15,5% na comparação anual. A receita acumulada alcançou US$ 7,689 bilhões, avanço de 21,9%.

O Estado Online