Aponta laudo da PF: Maior apreensão de drogas anunciada em MS não tinha cocaína
Laudo divulgado pela PF (Polícia Federal) concluiu que a carga apresentada inicialmente como a “maior apreensão de drogas da história” em Mato Grosso do Sul não continha cocaína. A análise foi realizada a partir de amostras coletadas da carga de 260 toneladas de madeira apreendida durante a Operação Timber Shield. A apreensão ocorreu em 21 de junho, durante uma operação da Receita Federal com apoio do Exército Brasileiro e cooperação de autoridades dos Estados Unidos e da Aduana da Bolívia.
Na ocasião, fiscais estimaram que entre 20 e 50 toneladas de cocaína líquida estariam impregnadas em uma carga de aroeira transportada por oito carretas, sendo quatro abordadas em Corumbá (MS) e outras quatro em Cáceres (MT).
Segundo o laudo pericial nº 27.589/2026, concluído em 17 de julho pelo Setor Técnico-Científico da PF em Mato Grosso do Sul, “todos os testes e exames instrumentais descritos resultaram negativos para a presença de cocaína impregnada nas amostras de madeira encaminhadas a exame pericial”.
De acordo com o Estadão Conteúdo, os peritos iniciaram os trabalhos dois dias após a apreensão e analisaram fragmentos de madeira utilizando reagentes químicos e exames laboratoriais para verificar a possível presença de cocaína ou de outras substâncias ilícitas impregnadas nas fibras ou aplicadas sobre a superfície da madeira.
Posteriormente, entre 30 de junho e 3 de julho, uma equipe da PF realizou uma nova inspeção no Porto Seco dos Armazéns Gerais Alfandegados de Mato Grosso do Sul (Agesa), em Corumbá, onde a carga permaneceu armazenada. Durante a vistoria, foram coletadas novas amostras de serragem e lascas de madeira, além da utilização de cães farejadores, espectrômetro a laser e testes químicos complementares.
Ainda segundo o documento, os cães não indicaram a presença de drogas e todas as análises realizadas em campo e em laboratório confirmaram resultado negativo para cocaína ou qualquer outra substância entorpecente.
O laudo também destaca que a madeira de aroeira apresenta características físicas que dificultam a absorção de líquidos. Por possuir elevada densidade, alta resistência e baixa capacidade de absorção de umidade, o material é considerado pouco adequado para servir como matriz de impregnação de cocaína.
O restante das amostras coletadas foi encaminhado ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, para análises complementares.
Procurada pelo Estadão Conteúdo, a Receita Federal ainda não havia se manifestado sobre as conclusões da perícia até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamento da instituição.
** Com informações do Estadão Conteúdo.







