MS e a Celulose: nova locomotiva industrial e salto de empregos formais em Inocência

Setembro 6, 2026 - 09:29
MS e a Celulose: nova locomotiva industrial e salto de empregos formais em Inocência
(Divulgação)

A atividade industrial em Mato Grosso do Sul vive uma profunda transformação. Em pouco mais de uma década, a produção de celulose consolidou-se como um dos principais motores do desenvolvimento regional, ampliando a participação na economia estadual e estruturando uma presença internacional robusta. Esse avanço é reflexo de vantagens competitivas singulares do Estado, como clima favorável para o cultivo de eucalipto, grande disponibilidade de terras e uma infraestrutura logística em expansão.

Os números divulgados pela FIEMS (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) evidenciam essa trajetória. Entre 2010 e 2025, o total de trabalhadores no setor cresceu de 7.004 para 24.430, alta de 249%. No mesmo período, a receita das exportações saltou de US$ 431,4 milhões para US$ 3,12 bilhões. Segundo o economista-chefe da FIEMS, Ezequiel Resende, a atividade é a principal novidade da transformação industrial do Estado. “A celulose é uma nova locomotiva. Pelo volume de investimentos, pelo rápido crescimento e pela participação na atividade econômica, ela se consolidou como um dos principais ramos da indústria de transformação de Mato Grosso do Sul”, afirma Resende, destacando que o valor bruto da produção industrial do segmento cresceu 1.148% de 2010 a 2024, saltando de R$ 1,63 bilhão para R$ 20,4 bilhões.

O Presidente do SINPACEMS, Elcio Trajano Jr, tem uma visão que a expansão dacelulose tem de ser acompanhada de capacitação profissional e cuidados ecológicos, para agarantir um desenvolvimento geral do Estado. “O próximo desafio é fazer com que esse crescimento continue gerando valor para o Estado de forma sustentável.À medida que a atividade cresce, também aumenta a responsabilidade de garantir que esse desenvolvimento seja acompanhado pela qualificação das pessoas, pela geração de empregos e pela criação de novas oportunidades”, aponta o presidente.

O impacto em outros setores

A instalação de grandes plantas industriais de celulose não se limita à atividade na fábrica, mas provoca um forte efeito multiplicador na cadeia de comércio e serviços. Um exemplo é a atuação da Suzano, que possui três fábricas operando no Estado (duas em Três Lagoas e uma em Ribas do Rio Pardo), com capacidade de 5,8 milhões de toneladas por ano. O diretor industrial da Regional Sul da Suzano, Maurício Miranda, aponta que cada colaborador próprio gera até 15,5 outros postos de trabalho indiretos, somando cerca de 69,3 mil empregos na economia local. Além disso, as operações movimentaram R$ 3,7 bilhões com 824 fornecedores locais de Mato Grosso do Sul somente em 2025. Ao priorizar empresas da região, a atividade faz o capital circular dentro do Estado, fortalecendo pequenos comércios e prestadores de serviços.

Para o executivo, o sucesso desse modelo de desenvolvimento descentralizado e sustentável está diretamente ligado a uma estratégia que integra o crescimento corporativo ao progresso das comunidades do interior. “A Suzano tem muito orgulho de ser uma das primeiras empresas do setor a apostar no potencial de Mato Grosso do Sul para a industrialização e a produção de celulose, e essa trajetória demonstra que investimentos de longo prazo produzem resultados mais consistentes quando combinados com formação profissional, valorização da economia local e conservação ambiental”, ressalta Maurício Miranda. O diretor pontua ainda que a atratividade do Estado para novas plantas industriais decorre de fatores estruturais integrados. “Mato Grosso do Sul reúne um conjunto de vantagens competitivas que explicam a atratividade do Estado para investimentos de longo prazo no setor de celulose: ambiente de negócios saudável, disponibilidade de terras aptas ao cultivo de eucalipto, clima favorável, produtividade florestal adequada, recursos hídricos compatíveis, conexão com o sistema elétrico nacional e uma infraestrutura logística em expansão”, conclui Miranda.

Industrialização em Inocência

Essa expansão industrial descentraliza a geração de renda e impulsiona municípios pequenos do interior do Estado. O caso mais emblemático é Inocência. Segundo dados do Novo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) analisados pelo Observatório da Indústria da FIEMS, a indústria estadual gerou 10.125 vagas formais entre janeiro e julho de 2026. Nesse levantamento, Inocência liderou de forma isolada a geração de postos de trabalho em todo o Estado, acumulando um saldo positivo de 4.691 novas vagas. O boom de empregos, decorrente da atração de nova estrutura florestal e fabril para o município, reconfigura a economia urbana, atraindo investimentos que reverberam da infraestrutura local às decisões corporativas na Capital. A chegada da indústria estimula serviços de hotelaria, alimentação, transportes e construção civil, mostrando que a industrialização traz avanço para as cidades e beneficia diretamente todos os setores.