Profissões: Mercado de trabalho muda e deixa menos espaço para carreiras previsíveis
Por muito tempo, a carreira profissional seguiu um roteiro relativamente conhecido: estudar, conseguir um emprego, acumular experiência e crescer dentro da mesma área. Esse caminho ainda existe, mas ficou menos comum. Empresas mudam suas estruturas, funções ganham novas exigências e trabalhadores precisam se preparar para alterações que nem sempre conseguem prever.
Para Márcio Monson, CEO da Selecty, empresa especializada em tecnologia para recrutamento e seleção, o ritmo dessas mudanças é uma das principais diferenças em relação ao mercado de anos atrás. “Há alguns anos era possível prever com relativa segurança quais profissões estariam em alta nos próximos dez anos. Hoje isso ficou muito mais difícil.”
Um levantamento do Fórum Econômico Mundial mostra o tamanho dessa mudança. Segundo o relatório de 2025, 39% das habilidades centrais dos trabalhadores devem sofrer alterações até 2030. O estudo foi elaborado a partir das respostas de mais de mil empresas, que juntas representam mais de 14 milhões de trabalhadores em 55 economias.
As profissões estão mudando por dentro
Nem sempre uma mudança no mercado aparece como uma profissão nova. Muitas vezes, ela acontece dentro de um cargo que já existe. O profissional continua exercendo a mesma função, mas passa a lidar com outras tarefas, ferramentas e responsabilidades.
Esse movimento atinge diferentes áreas. O conhecimento técnico continua sendo importante, mas as empresas também procuram profissionais capazes de analisar situações, tomar decisões e trabalhar com outras pessoas.
“Conhecimento técnico sozinho já não basta. O diferencial passa a ser interpretação, criatividade, capacidade de relacionamento e visão estratégica”, afirma Monson.
O relatório do Fórum Econômico Mundial coloca o pensamento analítico entre as habilidades mais importantes para os próximos anos. Criatividade, resiliência, flexibilidade e agilidade também aparecem entre as competências que devem ganhar importância até 2030.
Saber uma profissão já não significa saber tudo sobre ela
A formação continua sendo a porta de entrada para muitas carreiras, mas o aprendizado não termina quando o profissional consegue o diploma ou conquista experiência. Em algumas áreas, aquilo que era suficiente para exercer uma função alguns anos atrás já não cobre todas as exigências atuais.
É por isso que empresas passaram a investir mais em treinamento e requalificação. O Fórum Econômico Mundial calcula que 59% dos trabalhadores precisarão de algum tipo de reskilling ou upskilling até 2030. Em termos simples, parte da força de trabalho terá de aprender novas competências ou aprofundar aquelas que já possui.
Monson resume a mudança de maneira direta. “O profissional mais seguro não é necessariamente o que sabe mais. Muitas vezes é aquele que aprende mais rápido.”
A consequência aparece na própria trajetória profissional. Em vez de passar décadas fazendo exatamente o mesmo trabalho, o trabalhador pode precisar assumir novas tarefas, mudar de função ou até buscar outra especialização sem necessariamente abandonar a área em que construiu sua experiência.
O trabalho remoto mudou a relação com o escritório
A pandemia acelerou uma discussão que continua presente nas empresas: quanto do trabalho precisa, de fato, ser feito dentro do escritório. Depois de experimentar o trabalho remoto, empregados e empregadores passaram a discutir com mais frequência questões como deslocamento, horário e flexibilidade.
Algumas empresas retomaram o trabalho presencial. Outras mantiveram o remoto ou adotaram o modelo híbrido. Para Monson, não há uma resposta única. “A flexibilidade passou a ter um valor enorme. Depois que alguém experimenta ganhar duas horas por dia sem deslocamento, é difícil abrir mão disso.”




