Criança paraguaia ferida em acidente tem protocolo de morte encefálica iniciado em Dourados

Agosto 1, 2026 - 07:19
Criança paraguaia ferida em acidente tem protocolo de morte encefálica iniciado em Dourados
Foto: Marcos Morandi

Menina de 10 meses estava na motocicleta com os pais quando a família foi atingida por uma caminhonete em Pedro Juan Caballero

Uma menina paraguaia de 10 meses, vítima de um grave acidente de trânsito ocorrido na noite de quarta-feira (29), teve iniciado o protocolo para investigação de morte encefálica no Hospital Universitário de Dourados. A criança está internada desde o acidente, ocorrido na rodovia General Bernardino Caballero, a PY-05, em Pedro Juan Caballero.

A menina estava em uma motocicleta conduzida pelo pai, Diosnel Nuñez Gonzalez, de 25 anos, e acompanhada da mãe, Liz Karina Garcia Salinas, também de 25 anos. A família foi atingida por uma caminhonete Maxus T60, conduzida por um brasileiro de 36 anos, morador de Ponta Porã.

Com o impacto, a criança sofreu fratura na perna esquerda e traumatismo craniano. Diante da gravidade do quadro neurológico, a equipe médica iniciou o protocolo para verificar a existência de morte encefálica.

O pai sofreu fratura na perna esquerda. Já a mãe teve fraturas expostas nas duas pernas, com perda de parte de um dos membros, além de fratura no púbis. Ela também permanece internada em um hospital de Dourados, em estado grave.

Motorista afirma que acidente foi provocado após motocicleta ser atingida por caminhão

Em depoimento às autoridades paraguaias, o motorista da caminhonete afirmou que a motocicleta teria sido atingida de raspão por um caminhão. Segundo a versão apresentada, o impacto teria feito o motociclista perder o controle da direção e entrar na frente da caminhonete, impossibilitando que ele evitasse a colisão.

O brasileiro foi submetido ao teste do bafômetro, que não apontou presença de álcool no organismo. Ele foi colocado em liberdade e posteriormente compareceu ao Ministério Público de Pedro Juan Caballero para prestar novos esclarecimentos.

Até o momento, não há informações sobre a identificação do caminhão que, segundo o relato do motorista, teria provocado a primeira colisão.

Como funciona o protocolo de morte encefálica em crianças

O início do protocolo não significa, por si só, que a morte encefálica já foi confirmada. Trata-se de um procedimento médico rigoroso utilizado para verificar se houve perda completa e irreversível das funções do cérebro e do tronco cerebral.

Antes de iniciar o protocolo, os médicos precisam identificar a causa do coma e descartar situações que possam produzir um quadro semelhante, como efeito de medicamentos, intoxicações ou alterações metabólicas.

Na sequência, são realizadas avaliações clínicas por médicos diferentes e capacitados. Entre os critérios analisados estão a ausência de consciência, a ausência de reflexos do tronco cerebral e a incapacidade de respirar espontaneamente.

Em crianças, o protocolo possui critérios específicos, inclusive em relação ao intervalo entre as avaliações, que varia conforme a idade.

Também é necessário um exame complementar, conforme o método utilizado, para demonstrar a ausência de atividade elétrica ou de circulação sanguínea no cérebro. Entre os exames que podem ser utilizados estão o eletroencefalograma, a angiografia cerebral e o Doppler transcraniano.

Somente após o cumprimento de todas as etapas e a confirmação dos critérios médicos é que a morte encefálica pode ser declarada.

Morte encefálica é diferente de coma

A morte encefálica não deve ser confundida com o coma. Uma pessoa em coma ainda apresenta atividade cerebral e, dependendo da causa e da gravidade da lesão, pode haver possibilidade de recuperação.

Na morte encefálica, ocorre a perda completa e irreversível das funções do cérebro e do tronco cerebral. Por isso, quando o protocolo é concluído e o diagnóstico é confirmado, a condição corresponde ao óbito, mesmo que aparelhos consigam manter temporariamente algumas funções do organismo.

Em situações nas quais existe possibilidade de doação de órgãos, a família recebe as orientações da equipe responsável. A doação depende de autorização familiar e segue os critérios estabelecidos pela legislação brasileira.

O protocolo de morte encefálica existe justamente para garantir que o diagnóstico seja realizado de maneira segura, técnica e criteriosa, evitando que uma condição potencialmente reversível seja confundida com uma situação irreversível.