MS amplia produção de aves e suínos e aposta em logística para conquistar novos mercados
No SIAVS, governador Eduardo Riedel apresentou incentivos fiscais, segurança sanitária, sustentabilidade e Rota Bioceânica como diferenciais para atrair investimento
Nas regiões de São Gabriel do Oeste e Dourados, a expansão da produção de proteína animal já pode ser medida pelo aumento da capacidade dos frigoríficos, pelo número de propriedades integradas e pelo volume de animais abatidos. Por trás desses indicadores está uma cadeia que conecta produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e municípios que dependem da atividade para movimentar suas economias.
Esse cenário foi apresentado pelo governador Eduardo Riedel nesta terça-feira (4), durante a abertura do 8º SIAVS - Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura -, em São Paulo. Considerado o maior evento do setor na América Latina, o encontro reúne empresários, produtores, representantes de entidades e integrantes do governo federal.
Diante do setor produtivo, Riedel – pré-candidato aprovado em convenção à reeleição - defendeu que Mato Grosso do Sul reúne condições para ampliar a industrialização de aves e suínos e conquistar novos mercados internacionais.
A estratégia estadual combina incentivos fiscais, segurança sanitária, disponibilidade de grãos, investimentos em infraestrutura e abertura de novas rotas de exportação.
“O Estado demonstra elevada competitividade na transição energética e na transformação de elementos produtivos. Nos últimos dez anos, Mato Grosso do Sul tem apresentado um crescimento econômico de três a quatro vezes superior à média nacional, refletindo diretamente na geração de renda, empregos e redução da pobreza”, afirmou o governador.
Segundo Riedel, o ambiente criado para receber novos empreendimentos resulta de uma política que procura combinar infraestrutura, segurança jurídica e estímulos à industrialização.
Na prática, a atuação do Estado está concentrada em quatro frentes: segurança biológica, segurança sanitária, melhoria dos índices zootécnicos e gestão social e ambiental. Os incentivos concedidos às empresas integradoras também funcionam como instrumento para estimular a ampliação das plantas industriais e da produção rural.
“Na suinocultura e na avicultura, concedemos incentivos fiscais que permitem às empresas integradoras recuperar entre 70% e 80% do ICMS, fortalecendo os investimentos e promovendo prosperidade em todo o Estado”, declarou Riedel.
Rota Bioceânica abre caminho para a Ásia
Outro elemento central da estratégia é a Rota Bioceânica. O corredor rodoviário ligará Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, criando uma alternativa para o transporte de mercadorias pelo Oceano Pacífico.
Para a cadeia de proteína animal, a nova ligação pode encurtar o caminho até mercados asiáticos e oferecer uma opção aos portos do Atlântico, especialmente para produtos industrializados e de maior valor agregado.
“A utilização dos portos do Pacífico oferecerá uma alternativa estratégica aos portos do Atlântico para o escoamento de produtos processados de maior valor agregado. Somado ao acordo entre Mercosul e Singapura, isso amplia significativamente as oportunidades para nossa proteína animal”, afirmou o governador.
Suinocultura atravessa ciclo de expansão
A suinocultura ajuda a dimensionar esse movimento. Mato Grosso do Sul ocupa atualmente a quinta posição nacional em número de abates, com aproximadamente 3,75 milhões de suínos, e é o sexto maior exportador brasileiro de carne suína.
Parte desse crescimento foi financiada com recursos públicos. Nos últimos sete anos, aproximadamente R$ 1,7 bilhão em financiamentos destinados à atividade foram aprovados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, o FCO. A suinocultura foi definida como uma das prioridades estratégicas do fundo no Estado.
Outro instrumento utilizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul é o Programa Leitão Vida, criado para incentivar a produção e elevar os padrões sanitários, ambientais e de gestão das propriedades.
Modernizado e informatizado, o programa recebeu uma nova atualização em 2025, com a implantação do Protocolo Leitão Vida em Conformidade. O modelo estabelece critérios relacionados à sustentabilidade ambiental, biossegurança, bem-estar animal, gestão econômica e controle da produção.
Atualmente, 274 estabelecimentos estão cadastrados e são auditados pelo programa. Desse total, 269 já migraram para a nova versão. As cinco propriedades restantes têm até 8 de agosto para concluir a atualização.
O programa reúne ainda 115.770 matrizes cadastradas, além de três frigoríficos e três cooperativas credenciados.
Entre janeiro e julho de 2026, aproximadamente 1,6 milhão de suínos foram abatidos em Mato Grosso do Sul. No mesmo período, os incentivos pagos aos produtores ultrapassaram R$ 54,7 milhões.
Produção integrada impulsiona indústria
Os principais polos da atividade estão nas regiões de São Gabriel do Oeste e Dourados. Nesses municípios, cooperativas e agroindústrias fazem a ligação entre a produção realizada nas propriedades rurais e o processamento nos frigoríficos.
Em São Gabriel do Oeste, a ampliação da unidade da Aurora Coop elevou a capacidade de abate para 5 mil animais por dia. O investimento simboliza o avanço da industrialização e aumenta a demanda por animais produzidos nas propriedades integradas à cooperativa.
A avicultura também participa desse processo de expansão. O setor é beneficiado pela disponibilidade de milho e soja utilizados na alimentação animal, pela presença de fontes renováveis de energia, pelas YY condições sanitárias e pela localização de Mato Grosso do Sul entre regiões produtoras e corredores de exportação.
Articulação entre governo e produtores
Além dos incentivos financeiros e fiscais, o Governo do Estado tem participado de missões empresariais, fóruns técnicos e eventos internacionais para apresentar projetos e buscar novos investimentos para a cadeia de proteína animal.
Entidades como Assoglória, Assuita, Suinorte, Assuguassu, APLMS e Asumas trabalham em parceria com o poder público na organização dos produtores, na disseminação de tecnologias, na implantação de protocolos de sustentabilidade e na atração de agroindústrias.
A combinação de crédito, incentivos fiscais, produção de grãos, segurança sanitária e novas alternativas logísticas coloca Mato Grosso do Sul em posição de ampliar sua participação no mercado nacional e internacional de carnes.
Para o governo de Eduardo Riedel, o próximo ciclo de crescimento passa justamente pela transformação da matéria-prima produzida no Estado em alimentos industrializados de maior valor agregado. A aposta é fazer com que a expansão das granjas e dos frigoríficos também se traduza em investimentos, empregos e renda nos municípios onde a cadeia está instalada.









