Mulheres que abriram caminho: lideranças femininas marcam a história política de Mato Grosso do Sul

Março 8, 2026 - 08:08
Mulheres que abriram caminho: lideranças femininas marcam a história política de Mato Grosso do Sul
Adriane Lopes, Marisa Serrano e Simone Tebet

No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março, a trajetória de mulheres que ocuparam espaços historicamente dominados por homens ajuda a contar parte da história política de Mato Grosso do Sul. Ao longo das últimas décadas, algumas lideranças femininas romperam barreiras e abriram caminho para novas gerações na vida pública.

Para marcar a data, o jornal O Estado conversou com três figuras que representam momentos importantes dessa trajetória: a ex-senadora Marisa Serrano, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet e a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes.

Cada uma delas protagonizou feitos inéditos na política sul-mato-grossense. Marisa foi a primeira mulher eleita senadora pelo Estado, Simone tornou-se a primeira vice-governadora de Mato Grosso do Sul, e Adriane entrou para a história ao se tornar a primeira mulher eleita prefeita da Capital.

Pioneirismo
Para a chefe do Executivo, a presença feminina em espaços de poder tem avançado em Campo Grande e destacou a importância de ampliar oportunidades para que mais mulheres ocupem cargos de liderança. Adriane Lopes avalia que sua trajetória também representa um incentivo para que outras mulheres participem da política e da gestão pública. “A minha trajetória é re-sultado de muito trabalho, fé e do apoio da população campo-grandense. Fui eleita como a primeira prefeita de Campo Grande e isso mostra que as mulheres estão cada vez mais preparadas para ocupar espaços de decisão. Quando nós mulheres chegamos a um cargo de liderança, abrimos caminhos para muitas outras que também sonham em transformar a sociedade por meio do serviço público”, afirmou.

A prefeita também ressaltou que Campo Grande vive um momento histórico ao ter mulheres em posições estratégicas na administração, incluindo vice-prefeita e secretárias municipais. Entre as prioridades da gestão, ela cita o fortalecimento de políticas públicas voltadas às mulheres, com foco na proteção, na qualificação profissional e na geração de oportunidades.

Entre as iniciativas, Adriane destacou programas como o CG Delas, voltado ao empreendedorismo e à capacitação profissional. “Nosso objetivo é garantir que cada mulher tenha condições de viver com dignidade, segurança e oportunidades para desenvolver todo o seu potencial”, pontuou.

Na área de proteção, a prefeita afirmou que a gestão tem buscado ampliar a rede de atendimento às vítimas de violência, com ações integradas de acolhimento, orientação e assistência. Ao mesmo tempo, a administração também investe em programas que incentivam a autonomia econômica feminina, com capacitação profissional e parcerias para ampliar oportunidades de emprego e renda.

Neste Dia Internacional da Mulher, Adriane Lopes deixou uma mensagem de incentivo para meninas e mulheres que desejam ocupar espaços de liderança. “Sejam resilientes e nunca desistam dos seus sonhos. Nós temos talento, força e capacidade de avançar e conquistar espaços na política, na iniciativa privada ou em qualquer área da sociedade. Cada mulher que se posiciona contribui para uma sociedade mais justa e igualitária. Eu conheço o caminho da dor, mas também conheço o caminho da superação. Se uma mulher vence, todas vencem”, concluiu.

Para Marisa Serrano, a eleição ao Senado representou mais do que uma conquista pessoal, foi um marco simbólico para a participação feminina na política estadual.

Segundo ela, sua vitória mostrou que também era possível às mulheres chegar à Câmara Alta e exercer o mandato em igualdade de condições. “Quando fui eleita senadora por Mato Grosso do Sul, abriu-se um caminho que até então era trilhado apenas por homens, tanto no antigo Mato Grosso quanto em Mato Grosso do Sul. Foi um marco para mostrar que as mulheres também poderiam chegar ao Senado e exercer a atividade política de igual para igual”, afirmou ao O Estado.

A ex-senadora destaca que sua trajetória foi construída gradualmente, começando ainda na juventude e passando por diferentes etapas da vida pública.

Professora de formação, Marisa iniciou sua carreira política na câmara de vereadores, passou pela Câmara dos Deputados e posteriormente chegou ao Senado. Para ela, a política também é uma escola construída com diálogo, debate e convivência com a sociedade.

Apesar dos avanços, ela lembra que os desafios foram constantes, especialmente em um ambiente tradicionalmente masculino. “A ideia muitas vezes era de que as mulheres não tinham conhecimento ou força suficiente para defender suas posições. Esse reconhecimento da competência feminina sempre foi um desafio”, relatou.

Entre os momentos mais marcantes de sua carreira, Marisa cita a campanha ao governo de Mato Grosso do Sul, que classificou como a mais intensa e desafiadora de sua trajetória política.
Ao avaliar a participação feminina na política, Marisa Serrano reconhece que houve avanços importantes nas últimas décadas, mas destaca que a presença das mulheres ainda está aquém do ideal.

“Hoje vemos mulheres participando mais ativamente da política, ocupando espaços em diferentes níveis da administração pública. Mas a porcentagem ainda é pequena. Quem decide os rumos do país é quem ocupa esses espaços de poder, e as mulheres ainda não chegaram lá na proporção que deveriam”, afirmou.

Ela lembra que, após sua eleição, outras mulheres também chegaram ao Senado representando Mato Grosso do Sul, como Simone Tebet, Soraya Thronicke e Tereza Cristina. “Isso mostrou ao país que Mato Grosso do Sul tem mulheres valorosas e dispostas a enfrentar os desafios da política”, concluiu.

Também ouvida pelo O Estado, Simone Tebet destacou que, ao longo da carreira, o fato de ser mulher muitas vezes pesou no debate político.

Com uma trajetória que inclui prefeitura, vice-governo, Senado e candidatura à Presidência da República, ela afirma já ter enfrentado diferentes formas de violência política de gênero.
“Já sofri violência política de gênero, ameaças, ataques virtuais e constrangimento público. Muitas vezes a mulher na política precisa demonstrar sua capacidade mais de uma vez para ser ouvida com algum respeito”, afirmou.

Segundo a ministra, situações como interrupções constantes de fala ou tentativas de desqualificar posições firmes ainda fazem parte da rotina política. “Isso faz parte de uma cultura política ultrapassada mas que persiste no dia a dia”, disse.

Para Tebet, apesar das dificuldades, a presença feminina tem contribuído para ampliar o debate sobre temas importantes, como o combate ao feminicídio, a igualdade salarial e o fortalecimento da bancada feminina no Congresso.

A ministra também avalia que a presença feminina em cargos estratégicos ainda é insuficiente, principalmente quando se considera que as mulheres representam mais da metade da população brasileira.

“Somos mais da metade da população e do eleitorado nacional, porém seguimos sendo minoria em cargos eletivos. Quando há diversidade na mesa de decisões, as políticas públicas tendem a ser mais completas diante das diferentes realidades do país”, afirmou.

Entre as medidas necessárias para ampliar a participação feminina, Tebet cita o cumprimento das regras de financiamento de campanhas para mulheres, o combate à violência política de gênero e políticas estruturais que ampliem as oportunidades de participação.

Entre elas estão a expansão de creches, apoio à maternidade e programas de formação de lideranças femininas. “A igualdade na política começa com igualdade de oportunidades”, destacou.

Ao falar às jovens que desejam ocupar espaços de liderança, Simone Tebet reforça a importância da preparação e da coragem para enfrentar os desafios. Ela cita uma frase da ex-presidente chilena Michelle Bachelet para resumir o impacto da presença feminina na política.

“Quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando muitas mulheres entram na política, muda a política”.

O Estado Online