Quase 100 casos de chikungunya emite alerta de epidemia em reserva indígena de Dourados

Março 7, 2026 - 18:15
Quase 100 casos de chikungunya emite alerta de epidemia em reserva indígena de Dourados
Foto: Bruno Rezende

A Reserva Indígena de Dourados entrou em alerta diante do avanço de casos de chikungunya entre indígenas guarani-kaiowá. Quase 100 infecções já foram confirmadas nas aldeias Jaguapiru e Bororó, onde vivem cerca de 20 mil pessoas na maior reserva de Mato Grosso do Sul, com aproximadamente 3,5 mil hectares.

De acordo com a Prefeitura de Dourados, o município contabiliza 515 notificações da doença. A situação ganhou maior preocupação após a morte de uma mulher de 69 anos, moradora da aldeia Jaguapiru. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a vítima tinha diabetes e hipertensão. Os sintomas começaram no dia 13 de fevereiro e o óbito foi registrado no dia 26 do mesmo mês.

Com o aumento acelerado dos casos, representantes da Secretaria Municipal de Saúde, profissionais de saúde que atuam nas aldeias e lideranças indígenas participaram, na sexta-feira (6), de uma reunião para definir medidas de enfrentamento da doença.

No Hospital da Missão Evangélica Caiuá, responsável por grande parte do atendimento à população indígena da região, cerca de 130 pessoas procuram atendimento diariamente. A maioria apresenta sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações, dor de cabeça e náuseas.

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue e da zika. No caso da zika, também pode ocorrer transmissão da mãe para o bebê durante a gestação e por via sexual. Já a dengue e a febre amarela são transmitidas exclusivamente pela picada do mosquito.

O DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) aponta que a falta de abastecimento regular de água nas aldeias contribui para o aumento do risco, já que muitas famílias dependem de caminhões-pipa e armazenam água em recipientes que podem se transformar em criadouros do mosquito.

A prefeitura informou que o combate da epidemia dentro da reserva é de responsabilidade do governo federal. Mesmo assim, equipes municipais realizaram bloqueio químico com inseticida na região para tentar conter o avanço da doença.

O Estado Online