Brasil avança nas negociações para exportar carne bovina à Coreia do Sul

Março 9, 2026 - 05:46
Brasil avança nas negociações para exportar carne bovina à Coreia do Sul
(Divulgação)

Após a agenda oficial na Índia, a missão presidencial brasileira seguiu para a Coreia do Sul no final de fevereiro, dando continuidade à estratégia de fortalecimento das relações comerciais e diplomáticas com países asiáticos. Durante a visita, foram firmados acordos de cooperação técnica e científica e discutidas oportunidades de ampliação do comércio bilateral em diversos setores do agronegócio. Entre os segmentos contemplados estão as exportações de carne suína, frutas e outros produtos agropecuários. No entanto, um dos principais objetivos da delegação brasileira foi avançar nas negociações para a entrada da carne bovina nacional no exigente mercado sul-coreano, reconhecido internacionalmente por seus rigorosos padrões sanitários e pela preferência por cortes de alto valor agregado.

A missão trouxe sinais positivos para o setor pecuário brasileiro. De acordo com o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o governo sul-coreano informou que pretende realizar auditorias em unidades frigoríficas do Brasil para verificar se os estabelecimentos cumprem todas as exigências sanitárias, técnicas e de qualidade requeridas para autorizar a importação da proteína bovina brasileira. Essa etapa é considerada fundamental para a conclusão do processo de negociação e pode representar o início de uma possível abertura do mercado.

A expectativa do governo brasileiro e da indústria é otimista. O Brasil ocupa atualmente a posição de maior exportador mundial de carne bovina e possui ampla experiência no atendimento a mercados com elevados níveis de exigência sanitária e regulatória, como é o caso da China, da União Europeia e de outros países asiáticos. Segundo Fávaro, as autoridades sul-coreanas demonstraram disposição em avançar com o processo. “O Brasil já cumpre todos os protocolos sanitários exigidos internacionalmente, e o presidente Lee Jae Myung sinalizou de forma rápida que o país realizará auditorias nas plantas frigoríficas brasileiras”, afirmou o ministro.

Um fator que fortalece a posição brasileira nas negociações é o reconhecimento internacional obtido em 2025, quando o país conquistou o status sanitário de território livre de febre aftosa sem vacinação, certificado pela Organização Mundial de Saúde Animal. Essa classificação representa um marco para a pecuária nacional e abre portas para mercados considerados de alto padrão, frequentemente chamados de “mercados premium”, que exigem elevados níveis de controle sanitário e rastreabilidade na produção.

O processo de abertura do mercado sul-coreano prevê etapas técnicas rigorosas. Especialistas e auditores do governo da Coreia do Sul deverão visitar propriedades rurais e frigoríficos no Brasil para avaliar toda a cadeia produtiva da carne bovina. Durante essas inspeções, serão analisados aspectos como o manejo do rebanho, a rastreabilidade dos animais, as condições sanitárias das fazendas, além dos procedimentos adotados no abate, processamento e armazenamento da carne. O objetivo é garantir que o produto atenda plenamente aos padrões de qualidade exigidos pelo consumidor sul-coreano.

Atualmente, a indústria frigorífica brasileira possui alto nível de profissionalização e opera com tecnologias modernas, seguindo protocolos compatíveis com algumas das legislações sanitárias mais rigorosas do mundo. Essa estrutura é vista como um diferencial competitivo importante nas negociações internacionais.

Outro aspecto relevante no processo de negociação é o interesse da Coreia do Sul em diversificar seus fornecedores de proteína animal. O país asiático depende fortemente das importações para atender ao consumo interno de carne bovina, sendo tradicionalmente abastecido por grandes exportadores como Estados Unidos e Austrália. A entrada de novos parceiros comerciais pode contribuir para ampliar a segurança do abastecimento e reduzir riscos associados à dependência de poucos fornecedores.

Curiosamente, o fluxo comercial sul-coreano apresenta algumas particularidades. Apesar de exigir elevados padrões sanitários, o país já importa carne bovina de nações como o Uruguai, que ainda mantém programas de vacinação contra a febre aftosa. Essa situação demonstra que, além de critérios técnicos, fatores diplomáticos, comerciais e estratégicos também influenciam a abertura de mercados internacionais.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), Roberto Perosa, avaliou de forma positiva os avanços obtidos durante a visita oficial. Segundo ele, o acesso ao mercado sul-coreano é uma demanda histórica do setor. “A Coreia do Sul é um grande importador de carne bovina e o Brasil busca essa abertura há mais de vinte anos. Participamos de reuniões e de um seminário empresarial para avançar nas negociações. Ainda existem etapas técnicas a serem cumpridas, como auditorias e novas inspeções no Brasil, mas acreditamos que a visita presidencial ajudará a acelerar esse processo”, destacou.

O Estado Online