Dados: Estudo em MS revela que frear ou desviar de animais pode ser mais perigoso do que manter a trajetória
Uma pesquisa realizada em rodovias de Mato Grosso do Sul concluiu que, para motoristas de caminhão, frear bruscamente ou desviar de um animal silvestre pode representar um risco maior do que manter a trajetória do veículo. O estudo aponta que a decisão está diretamente relacionada à segurança viária e não, necessariamente, à falta de preocupação com a conservação da fauna.
O trabalho foi desenvolvido pelo ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), no âmbito do Projeto Bandeiras & Rodovias, e investigou como caminhoneiros reagem ao encontrar animais na pista em três rodovias que cruzam áreas de Cerrado e Pantanal, regiões conhecidas pela grande diversidade de espécies.
Ao todo, 82 caminhoneiros foram entrevistados na primeira etapa da pesquisa para identificar como percebiam os riscos de frear, desviar ou seguir em frente diante da presença de animais silvestres. A partir dessas informações, os pesquisadores elaboraram um questionário respondido por outros 117 motoristas.
Os participantes analisaram situações hipotéticas envolvendo serpentes, tatus e tamanduás-bandeira, espécies frequentemente registradas nas rodovias sul-mato-grossenses. O objetivo era entender se fatores como medo, empatia, percepção de risco ou preocupação com a conservação influenciavam a decisão dos condutores.
Os resultados mostraram que, independentemente da espécie encontrada, a principal preocupação dos caminhoneiros era evitar acidentes. Muitos relataram que, ao se depararem com um animal na pista, a atitude considerada mais segura era “segurar firme o volante e seguir em frente”.
Segundo os pesquisadores, essa resposta está relacionada às características dos veículos de carga. Em caminhões pesados, uma frenagem brusca ou uma manobra repentina pode provocar capotamentos, saída da pista ou colisões com outros veículos, aumentando o risco de acidentes graves.
O estudo também concluiu que campanhas de conscientização baseadas apenas na empatia pelos animais tendem a ter alcance limitado. Mensagens como “proteja a fauna” ou “eu freio para animais” desconsideram que, em muitos casos, o motorista dispõe de poucos segundos para reagir e nem sempre consegue evitar a colisão com segurança.
Para os pesquisadores, a forma mais eficaz de reduzir os acidentes é impedir que os animais tenham acesso à pista. Entre as medidas recomendadas estão a instalação de cercas direcionadoras de fauna integradas a passagens específicas para animais, permitindo travessias seguras sem interferir no tráfego.
A pesquisa também propõe uma mudança de abordagem sobre o problema. Em vez de tratar apenas dos atropelamentos de fauna, os autores defendem que o tema passe a ser encarado como colisões entre veículos e animais silvestres, reconhecendo que os impactos atingem tanto a biodiversidade quanto motoristas e passageiros.
Saiba: Desenvolvido desde 2017 pelo ICAS, o Projeto Bandeiras & Rodovias busca construir soluções que conciliem conservação ambiental e segurança viária, com foco na redução de acidentes envolvendo animais silvestres nas estradas de Mato Grosso do Sul.
O Estado Online







