Dados: Mato Grosso do Sul tem a segunda maior alta em violência doméstica

Julho 24, 2026 - 10:12
Dados: Mato Grosso do Sul tem a segunda maior alta em violência doméstica
(Divulgação)

Lançado ontem (23), o Anuário Brasileiro de Segurança Pública expõe dados de 2025 em diversas frentes. São mais de 420 páginas detalhadas sobre a situação do Brasil dividida por Federações. Neste ano, o material analisou pela primeira vez microdados nacionais sobre materiais de crimes de abuso sexual infantil e uma forte tendência de adolescentes entre os autores. Outros dados como violência doméstica, mortes e tráfico também constam na publicação.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é a publicação mais ampla da Segurança Pública brasileira e baseia-se em informações das secretarias de segurança pública estaduais, polícias civis, militares e federal, além das demais fontes oficiais da Segurança Pública. Na edição em comemoração aos 20 anos da publicação, foi a primeira vez em que dados sobre bullying foram incluídos no texto.

Mortes Violentas Intencionais

No Brasil, foram registradas 40.775 MVI (Mortes Violentas Intencionais). Essa categoria considera vítimas de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais. Uma redução de 8,2% se comparadas com 2024, sobretudo dos homicídios dolosos.

Ainda no cenário nacional, todas as subcategorias das MIV caíram, com exceção das mortes por intervenção policial e feminicídios. No texto, a doutora em ciências sociais e pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Raquel Sousa, afirma que o “Brasil antecipa meta de redução de homicídios em dois anos, mas dados sobre Mortes Violentas Intencionais revelam a persistência da letalidade provocada pelas forças de segurança e da violência contra a mulher”.

Em contrapartida ao declínio nacional, sete Estados tiveram aumentos em casos, incluindo o Mato Grosso do Sul, com 4,9% mais registros em 2025 do que em 2024.

Violência doméstica

Os casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica cresceram no país todo: são 2,6% a mais. Isso significa pelo menos uma agressão contra a mulher a cada dois minutos. Mato Grosso do Sul apresenta o segundo maior crescimento do País, com 19,4% a mais, sendo superado apenas pelo Acre, com 21,1%.

No entanto, há também dados positivos. Na subcategoria de perseguição (stalking), Mato Grosso do Sul aparece como o segundo Estado com o segundo maior registro de queda, 7,8% a menos. Foi um crime que cresceu em todo o Brasil. MS também marcou a maior queda observada no crime de violência psicológica, com menos 44,5%.

Mato Grosso do Sul também apresenta a quinta maior taxa do Brasil em relação ao crime de estupro. Foram 2.324 casos. Deste total, 1.924 são vulneráveis. Isso significa 142,6 estupros a cada 100 mil mulheres, que seguem sendo as maiores vítimas do crime: nove em cada dez.

Drogas

Os registros de tráfico de drogas e posse e uso de drogas colocam o estado sul-mato-grossense em destaque. No ano de 2025, no entanto, há uma novidade. “O Brasil pode estar diante de uma inédita reconfiguração no mercado das drogas e na forma como o Estado, sobretudo na sua faceta da segurança pública e justiça criminal, lida com a questão. O ponto de inflexão se dá justamente no ano de 2024, ano no qual o STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 635.659 (Tema 506), que descriminalizou a posse de maconha para uso pessoal, fixando um limite objetivo de referência em 40 gramas ou seis plantas-fêmeas de cannabis sativa para diferenciação entre consumo pessoal e tráfico”, afirma a pesquisa.

O próprio texto do Anuário expõe que sobre a rota privilegiada que o tráfico encontra em MS, principalmente pela fronteira entre países e com a influência do PCC (Primeiro Comando da Capital). “Estes dois estados [São Paulo e Paraná], juntamente ao Mato Grosso do Sul e norte de Santa Catarina, são territórios nos quais o PCC é a organização criminosa predominante. Assim como na Amazônia Legal, a etapa inicial do transporte utiliza predominantemente caminhos terrestres e fluviais. Entretanto, uma característica marcante da Rota Caipira é o uso recorrente de pequenos aviões para transportar a cocaína da Bolívia e do Paraguai até o território brasileiro”.

Primeiro lugar

Mato Grosso do Sul aparece em algumas categorias e subcategorias no topo da lista. Em maus-tratos, a cada 100 mil habitantes, são 206,5 casos no Estado. O dado mais alto de MS entre todas Federações também fica com abandono material, crime caracterizado por omissão de pensões ou omitindo recursos básicos para a sobrevivência de dependentes. Em geral, Mato Grosso do Sul possui particularidades e tendências específicas.

O Estado Online