R$50 milhões: Fiocruz inaugura complexo e amplia capacidade de pesquisa em MS
Mato Grosso do Sul passará a contar, a partir desta segunda-feira (22), com uma estrutura ampliada da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) voltada ao desenvolvimento de pesquisas em áreas consideradas estratégicas para o Estado, como doenças infecciosas, vigilância genômica, saúde indígena, biodiversidade e monitoramento de agravos em regiões de fronteira.
O novo complexo da instituição, instalado ao lado da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, reúne laboratórios especializados, biotério e espaços para pesquisadores em uma área construída de 3.677 metros quadrados. A obra recebeu cerca de R$50 milhões em investimentos federais e marca uma nova fase da atuação da Fiocruz em Mato Grosso do Sul, onde a instituição mantém atividades de pesquisa, formação e cooperação científica há quase duas décadas.
A nova estrutura amplia a capacidade operacional da unidade sul-mato-grossense. A partir dela, pesquisadores passarão a contar com laboratórios próprios e equipamentos concentrados em um único espaço, reduzindo a dependência de instalações compartilhadas e ampliando as condições para desenvolvimento de estudos, diagnósticos e ações de vigilância em saúde.
A diretora da Fiocruz Mato Grosso do Sul, Jislaine Guilhermino, afirma que o novo espaço foi planejado para fortalecer tanto a produção científica quanto a capacidade de resposta da instituição às demandas da população. “Essa estrutura nova amplia a nossa capacidade científica e tecnológica. Ela entrega um espaço muito mais adequado para a nossa equipe desenvolver suas atividades e, consequentemente, amplia a nossa entrega para a sociedade”, afirmou.
A unidade atua em diferentes frentes ligadas ao SUS (Sistema Único de Saúde), desde pesquisas laboratoriais até projetos voltados à formação de profissionais da saúde. Entre as áreas desenvolvidas pela Fiocruz estão vigilância epidemiológica, vigilância genômica, diagnóstico de doenças, estudos sobre circulação de vírus em regiões de fronteira e pesquisas relacionadas à saúde das populações indígenas.
Também fazem parte da atuação da instituição projetos sobre saúde materno-infantil, nutrição, atenção a populações vulneráveis e desenvolvimento de novas tecnologias e insumos farmacêuticos.
Estrutura voltada aos desafios da região
O complexo abriga laboratórios de Biologia Molecular, Biodiversidade, Imunofarmacologia, Sequenciamento Genético e Entomologia, além de um biotério destinado a pesquisas experimentais. A proposta é permitir que diferentes etapas de uma investigação científica sejam realizadas dentro da própria unidade, desde análises moleculares até estudos relacionados à resposta imunológica e caracterização genética de agentes infecciosos.
A estrutura foi concebida levando em consideração características específicas de Mato Grosso do Sul. O Estado possui mais de 1.500 quilômetros de fronteira internacional, concentra áreas dos biomas Pantanal e Cerrado e abriga uma das maiores populações indígenas do país. Esses fatores tornam a região um ambiente estratégico para pesquisas relacionadas à circulação de doenças, impactos ambientais sobre a saúde e interação entre seres humanos, animais e ecossistemas.
Entre as linhas de pesquisa que devem ser fortalecidas estão os estudos sobre arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, além de tuberculose, doenças emergentes e reemergentes, vigilância genômica e saúde única, conceito que integra saúde humana, animal e ambiental.
O Laboratório de Entomologia, por exemplo, deverá ampliar pesquisas relacionadas a mosquitos e outros vetores de importância médica. Já o Laboratório de Sequenciamento Genético reforça a capacidade de monitoramento molecular de vírus e outros patógenos, permitindo acompanhar variantes e auxiliar investigações epidemiológicas.
Outra frente considerada estratégica é a biodiversidade. Os estudos desenvolvidos nessa área buscam compreender como alterações ambientais podem impactar a saúde das populações humanas e dos ecossistemas presentes no Pantanal e no Cerrado.
Experiência da pandemia evidenciou necessidade
A pandemia de Covid-19 é apontada pela direção da Fiocruz como um dos exemplos da importância de ampliar a infraestrutura científica instalada no Estado.
Naquele período, pesquisadores da instituição participaram de uma força-tarefa para auxiliar no diagnóstico da doença em parceria com a Embrapa Gado de Corte, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e o Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso do Sul (Lacen-MS). Como a estrutura atual ainda não estava concluída, parte das atividades precisou ser realizada em instalações de instituições parceiras.
“Naquele momento nós não tinhamos a nossa estrutura física pronta. Em parceria com a Embrapa, a Secretaria de Estado de Saúde e o Lacen, assumimos atividades de diagnóstico em Corumbá e depois em Campo Grande. Hoje ampliamos essa capacidade de entrega com a nova estrutura”, relatou Jislaine.
Segundo a diretora, a experiência demonstrou a importância de contar com espaços adequados para atuação rápida em momentos de emergência sanitária, especialmente em um Estado com características geográficas e epidemiológicas complexas.
Além dos laboratórios, o novo complexo foi projetado para ampliar a interação com universidades, institutos de pesquisa e órgãos públicos. A expectativa é que a estrutura funcione como ponto de convergência para projetos científicos e ações de cooperação envolvendo diferentes instituições que já atuam no Estado. “Esse também será um espaço de colaboração. Nós não vamos sair desses espaços anteriores de colaboração nas universidades, mas vamos ter a possibilidade de trazer também essas outras instituições para dentro da Fiocruz Mato Grosso do Sul”, afirmou.
A presença da Fiocruz em Mato Grosso do Sul começou a ser estruturada em 2007, a partir de articulações entre representantes do Estado e da fundação. Ao longo dos anos, a instituição se concentrou em pesquisas voltadas a temas considerados estratégicos para a região, como saúde indígena, saúde e meio ambiente, biodiversidade, populações vulneráveis, atenção primária e vigilância em áreas de fronteira.
O Estado Online






