Alarmante: Em 10 dias, MS registra seis feminicídios e metade das vítimas tinha menos de 30 anos
Seis mulheres tiveram suas vidas interrompidas por feminicídio em Mato Grosso do Sul em um intervalo de apenas 10 dias. Entre 27 de julho e 6 de agosto, crimes registrados em diferentes regiões do Estado revelaram características que se repetem: a violência extrema, o uso de facas como arma principal e a proximidade entre vítimas e autores.
Em todos os seis registros, as mulheres foram assassinadas com golpes de arma branca. Na maioria das ocorrências, os suspeitos eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas, segundo as investigações. A sequência também chama atenção pela idade das mulheres: três delas tinham entre 22 e 26 anos, e metade das vítimas não havia completado 30 anos.
As vítimas tinham idades entre 22 e 54 anos. Eram mulheres de diferentes gerações e cidades, mas que passaram a integrar uma mesma estatística em um dos períodos mais violentos do ano para os registros de feminicídio no Estado.
Com os seis novos casos, Mato Grosso do Sul chegou a 21 feminicídios registrados em 2026. Em apenas 240 horas, uma média de uma mulher assassinada a cada dois dias, seis histórias foram encerradas pela violência de gênero.
A sequência de mortes percorreu diferentes regiões: Campo Grande, Água Clara, Corumbá, Dourados, Paranhos e Rio Verde de Mato Grosso.
Confira a cronologia dos casos:
1. Terezinha Nantes de Arruda, 54 anos — Campo Grande
A sequência começou em 27 de julho, na Vila Bandeirante, em Campo Grande. Terezinha foi morta a facadas pelo companheiro, Joel Escócio Carvalho, de 59 anos, que tirou a própria vida após o crime.
Segundo a investigação, a vítima pretendia encerrar um casamento de mais de 30 anos, decisão que não era aceita pelo autor. O caso chamou atenção pela violência: o corpo apresentava marcas de defesa. Não havia registros anteriores de violência doméstica nem medidas protetivas.
2. Ana Carolina Goes, 45 anos — Água Clara
Três dias depois, em 30 de julho, Ana Carolina foi atacada no Núcleo Industrial Barra Mansa, em Água Clara. Ela foi atingida por golpes de faca desferidos pelo ex-namorado, Daniel Paz dos Santos, de 32 anos, após uma discussão.
A vítima chegou a ser socorrida e transferida para Três Lagoas, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito confessou o crime e foi preso em flagrante pela Polícia Civil enquanto tentava deixar a cidade.
3. Adrielle Encarnação Rodrigues, 26 anos — Corumbá
Apenas 24 horas depois, em 31 de julho, Adrielle foi assassinada pelo ex-companheiro em Corumbá.
Segundo a investigação, o casal tinha um relacionamento marcado por conflitos e, após uma discussão, a jovem foi atacada com golpes de faca. O autor confessou o crime e foi preso pela Polícia Civil.
4. Rose Batista Cabreira, 41 anos — Dourados
O primeiro feminicídio de agosto ocorreu no dia 2, em Dourados. Rose Batista Cabreira foi morta a facadas em um crime investigado como vingança.
A autora, Odete Benitas, foi presa e confessou o assassinato. A investigação aponta ainda a participação do atual companheiro de Rose e ex-marido de Odete, Renê de Souza, que teria levado a vítima até o local do ataque. Ele segue foragido.
5. Adriana Barrios, 22 anos — Paranhos
Na madrugada de 5 de agosto, Adriana foi morta dentro de casa, na Aldeia Arroyo Corá, em Paranhos, na região de fronteira com o Paraguai.
O companheiro, Denilson Ramires Medina, de 27 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar e confessou o crime. Segundo a polícia, ele alegou motivação passional. Não havia registros anteriores de violência doméstica entre o casal.
6. Nathália Rodrigues Nogueira, 26 anos — Rio Verde de Mato Grosso
A sexta vítima da sequência foi Nathália Rodrigues Nogueira, morta na madrugada de 6 de agosto, em Rio Verde de Mato Grosso.
Ela foi encontrada morta em uma calçada, com golpes de faca nas costas. Após o crime, o suspeito teria ligado para um familiar afirmando que havia “feito uma besteira” e fugido em uma motocicleta. Ele ainda é procurado pelas forças de segurança.
A sequência de mortes, registrada em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul, expõe a urgência do enfrentamento à violência contra a mulher e mostra que, em apenas 10 dias, seis mulheres tiveram suas vidas interrompidas.









