Amambai: Família acusa milícia de tortura em aldeia de Mato Grosso do Sul

Junho 10, 2026 - 06:45
Amambai: Família acusa milícia de tortura em aldeia de Mato Grosso do Sul
(Divulgação)

Cenas de um jovem indígena sendo violentamente espancado por integrantes de uma milícia que age dentro da Aldeia Amambai e que circulam pelas redes sociais, chamam a atenção pela estrema violência e o sofrimento causado a vítima. Nas imagens é possível excitar o som dos equipamentos de choque e a agressão com chutes e socos desferidos contra Marciano Gonçalves Ramires de 21 anos. 

Acusado de roubar uma vaca de uma propriedade rural nas proximidades da aldeia, Marciano foi capturado e espancado por integrantes da autointitulada “Segurança Indígena”. O grupo é formado por cerca de 10 integrantes que armados com armas de choque e cassetetes seriam os responsáveis por manter a ordem entre membros da comunidade indígena. 

Ação desta milícia teria o consentimento do capitão da aldeia o professor e pastor Flaviano Franco. Moradores da região acusam Franco de dar “carta branca” para que os seguranças ajam em questões envolvendo a comunidade. 

Na última sexta-feira (5), o grupo liderado por Oswaldo Sanches, o Chipa’i teria capturado Marciano e o espancado. Nas imagens aparecem outros integrantes do grupo que foram identificados como Rogério Rossati, Silvio Rossati e Oswaldo Espindola. Marciano foi amarrado e espancados durante algum tempo e depois levado para a Polícia Civil de Amambai. 

Ele só foi solto depois de uma medida judicial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul da VI Região de Ponta Porã que concedeu um Alvara de Soltura garantindo a liberdade de Marciano. 

Depois de solto, ele passou pelo Hospital Regional de Amambai para exame de corpo de delito, onde foram constatados apenas escoriações leves no tórax. Segundo a família ele não foi medicado e chegou em casa vomitando sangue. “ Não me deram nada para tomar, não me aplicaram nada. Estou sentindo muita dor e mal consigo andar”, disse Marciano. 

O pai dele contou que o filho ainda sente muita dor está apático e sendo tratado com remédios caseiros. “Quase mataram meu filho e queremos justiça”, contou ele. 

O capitão Franco não foi encontrado para falar sobre o caso e o Boletim de Ocorrência da prisão de Marciano não está acessível para jornalistas.