Dados: Endividamento das famílias bate recorde no Brasil e acende alerta em Mato Grosso do Sul

Agosto 7, 2026 - 12:03
Dados: Endividamento das famílias bate recorde no Brasil e acende alerta em Mato Grosso do Sul
(Divulgação)

O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida voltou a atingir um patamar histórico. Em julho, 82% dos lares declararam possuir compromissos financeiros, o maior índice da série da PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) , da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Em contrapartida, a inadimplência apresentou leve recuo, indicando que, embora mais famílias estejam recorrendo ao crédito, parte delas tem conseguido manter os pagamentos em dia ou renegociar débitos.

O cenário nacional também serve de alerta para Mato Grosso do Sul, onde o acesso ao crédito tem sido cada vez mais utilizado pelas famílias para complementar o orçamento diante do aumento do custo de vida. No Estado, o crescimento do consumo, impulsionado por setores como comércio e serviços, vem acompanhado de um maior uso do cartão de crédito, financiamentos e empréstimos, exigindo planejamento financeiro para evitar o comprometimento excessivo da renda.

Segundo a CNC, o principal responsável pelo elevado índice de endividamento continua sendo o cartão de crédito, modalidade presente na maior parte das dívidas das famílias brasileiras. Financiamentos de veículos, imóveis, crédito pessoal e carnês também aparecem entre as principais formas de contratação.

Apesar do avanço do endividamento, a queda na inadimplência é vista como um sinal positivo. O resultado indica que muitos consumidores têm conseguido reorganizar suas finanças por meio da renegociação de débitos, além de encontrarem um ambiente de crédito um pouco mais favorável do que nos últimos meses. A redução do tempo médio de atraso das contas também contribuiu para esse movimento.

Para economistas, o crescimento do endividamento, por si só, não representa necessariamente um problema. Em muitos casos, a contratação de crédito está relacionada à compra de bens duráveis, investimentos em moradia ou ao parcelamento de despesas. O risco surge quando a renda familiar passa a ser comprometida de forma excessiva, dificultando o pagamento das contas e reduzindo a capacidade de consumo.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário exige atenção especialmente em um contexto de inflação sobre itens essenciais e juros ainda elevados. Especialistas recomendam que os consumidores priorizem o pagamento de dívidas com juros mais altos, como o rotativo do cartão de crédito, evitem assumir novos financiamentos sem planejamento e mantenham uma reserva financeira para despesas inesperadas.

A expectativa é que os próximos meses continuem sendo marcados por forte demanda por crédito. No entanto, a sustentabilidade desse movimento dependerá da evolução da renda das famílias, da trajetória das taxas de juros e da manutenção das renegociações de dívidas.

Embora o indicador de endividamento tenha alcançado um novo recorde, a redução da inadimplência mostra que parte dos consumidores está conseguindo reorganizar o orçamento. Para Mato Grosso do Sul, o desafio será equilibrar o acesso ao crédito com educação financeira, evitando que o aumento das dívidas comprometa o consumo e a atividade econômica nos próximos meses.

O Estado Online