Em oito meses: Pantanal tem alta de 344% na área queimada em Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul registrou 80.449 hectares de área queimada no Pantanal entre 1º de janeiro e 17 de agosto deste ano, segundo balanço divulgado nessa terça-feira (18), pelo CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul). No mesmo período de 2025, o bioma havia registrado 18.096 hectares atingidos pelo fogo, o que representa aumento de 344,6%.
O número de eventos de fogo no Pantanal também cresceu na comparação anual. Foram 113 ocorrências neste ano, contra 81 no mesmo período de 2025, alta de 39,5%.
A Mata Atlântica também apresentou redução na área queimada. Foram 2.447 hectares atingidos entre janeiro e agosto deste ano, contra 3.963 hectares no mesmo intervalo de 2025, queda de 38,2%. O número de eventos, porém, subiu de 42 para 56, aumento de 33,3%.
Os dados de área queimada e eventos de fogo são do Imasul/Unigeo e integram o monitoramento de incêndios florestais do Estado.
Prevenção
O balanço do CBMMS também registra aumento nos atos declaratórios de prevenção contra incêndios florestais nos três biomas. No Pantanal, foram 87 atos neste ano, contra 39 em 2025, crescimento de 123,1%. No Cerrado, o número passou de 22 para 60, alta de 172,7%. Na Mata Atlântica, foram três atos em 2026, ante um no ano anterior.
No período de 18 a 23 de agosto, a previsão indica tempo seco e quente nas regiões Norte, Nordeste e Bolsão, com umidade relativa do ar entre 10% e 30%. As temperaturas máximas podem chegar a 42°C. Para as regiões Sul, Sudoeste, Centro-Sul, Oeste e Leste, estão previstas chuvas isoladas, com volumes entre 10 e 40 milímetros.
A previsão de risco de fogo para o trimestre de agosto, setembro e outubro aponta predominância dos níveis de Atenção e Alerta em Mato Grosso do Sul. Municípios do Pantanal, Norte e Nordeste aparecem na classificação de Alerta Alto, utilizada como referência para ações preventivas.
Previsão climática
Calor acima da média e chuvas irregulares devem marcar a primavera em Mato Grosso do Sul, segundo previsão climática sazonal elaborada pela equipe técnica do CEMTEC (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). A análise, baseada em modelos climáticos do Copernicus e da NOAA/CPC, aponta para um trimestre de temperaturas persistentemente elevadas, com possibilidade de períodos de calor intenso e ondas de calor precoces.
A tendência é de precipitação ligeiramente acima da média histórica, mas a distribuição das chuvas deve ser irregular, principalmente no início do trimestre, que ainda corresponde à transição entre a estação seca e o período chuvoso. Historicamente, os acumulados entre setembro e novembro variam de 300 a 400 milímetros na maior parte do Estado, de 400 a 500 mm no Sul e de 200 a 300 mm no Noroeste.
EL NIÑO MUITO FORTE
Os modelos indicam 100% de probabilidade de permanência do El Niño no segundo semestre de 2026, com chances entre 70% e 90% de o fenômeno atingir a categoria muito forte durante o trimestre. O fenômeno pode favorecer a ocorrência de períodos de calor acima da média e ondas de calor, embora seus efeitos em Mato Grosso do Sul dependam também de outros sistemas meteorológicos.
RISCO DE INCÊNDIOS
Mesmo com a previsão de chuva acima da média no acumulado do trimestre, períodos prolongados de calor, baixa umidade e estiagem podem manter elevado o risco de incêndios florestais. Segundo a previsão de perigo de fogo, as regiões Pantaneira, Norte e Nordeste do Estado aparecem entre as áreas que exigem maior atenção, com possibilidade de rápida propagação das chamas.
O CEMTEC alerta ainda que o calor persistente e a ocorrência de queimadas podem prejudicar a qualidade do ar, além de aumentar a demanda por água e energia e gerar impactos sobre a saúde, o agronegócio, os recursos hídricos e outros setores da economia.
O Estado Online









